O ambientalista Joe Chan disse à Lusa que as zonas verdes de Macau não melhoraram significativamente, apesar do Governo reclamar ter plantado 19 mil árvores nos últimos cinco anos.
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30/10/2026
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Lusa
O ambientalista Joe Chan disse hoje à Lusa que as zonas verdes de Macau não melhoraram significamente, apesar do Governo do território reclamar que plantou 19 mil árvores nos últimos cinco anos através de diversas iniciativas.
Joe Chan sublinhou que os ambientalistas “apoiam certamente” a plantação de árvores, porém apontou que a “arborização em Macau não depende apenas do número de árvores, mas sobretudo da taxa efetiva de coberto verde”.
O ambientalista explicou que a cobertura de espaços verdes de Macau é inferior à de cidades desenvolvidas vizinhas e que o método utilizado para calcular o coberto verde no território é singular, já que, mesmo quando não há árvores – por exemplo, numa praça quase desarborizada -, a área é contabilizada na sua totalidade como de espaço verde.
Dando como exemplo a Praça do Tap Seac, Chan referiu que, apesar da praça de 13 mil metros quadrados ter apenas “algumas árvores”, toda a praça é classificada “como espaço verde”.
Em termos de espaços naturais, “Macau ainda tem uma margem significativa de melhoria”, afirmou Chan, sugerindo ao Governo que aumente o coberto verde efetivo, reforçando a conservação de árvores antigas e dos povoamentos existentes, bem como a manutenção de árvores jovens e recentemente plantadas.
O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) indicou em resposta escrita a questões levantadas pela deputada Lei Ching I que foram plantadas “mais de 19 mil árvores de mangue, espécies adaptadas a zonas costeiras de transição entre o mar e a terra, entre 2021 e 2025”.
Apesar de densamente urbanizado, Macau alberga uma área de mangais ao longo de cerca de 4 quilómetros na linha de costa de Taipa-Coloane, na Zona Ecológica de Cotai.
Este ecossistema local é composto por apenas sete espécies, mas que desempenham um papel crucial na proteção costeira, filtragem de águas e conservação de aves migratórias.
Entre 2020 e 2025, a área de zonas verdes e o número de árvores urbanas aumentaram cerca de 10,3% e 8,1% respetivamente, acrescentou o instituto.
O IAM indicou na mesma resposta que em 2023 convidou peritos do interior da China para prestar apoio técnico em Macau, que passaram orientações profissionais sobre a avaliação da saúde das árvores antigas e de reconhecido valor e a respetiva recuperação.
“Entre 2026 e 2030, o IAM irá continuar a aumentar e optimizar, em todo o território de Macau, não menos de 200 mil metros quadrados de áreas verdes”, prevendo também plantar “cerca de 3.000 árvores em zonas verdes, parques, jardins e zonas de lazer”, indicou o instituto.
O plano passa ainda acrescentar elementos verdes nas passagens superiores para peões com condições para tal e nas travessias pedonais; desenvolver a arborização tridimensional, e “optimizar o planeamento” e disposição dos espaços verdes e de lazer das zonas urbanas.

