Macron dá semanas ao Governo para responder à revolta estudantil

Macron dá semanas ao Governo para responder à revolta estudantil

O Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu ao Governo que apresente respostas concretas às reivindicações dos estudantes, cujos protestos têm afetado o funcionamento das instituições de ensino. Ele também condenou a instrumentalização política das manifestações.

© Bastien Ohier / Hans Lucas / AFP via Getty Images


14/10/2026
por

Lusa

O Presidente francês, Emmanuel Macron, instou hoje o Governo a apresentar, nas próximas semanas, “respostas concretas” às “reivindicações legítimas” dos estudantes, cujos protestos têm impedido o funcionamento de instituições de ensino.

 

Macron condenou também o facto de estas manifestações estarem a ser “politicamente exploradas e transformadas em violência urbana”.

O chefe de Estado francês “pediu ao Governo que dê respostas concretas e claras, que trabalhe nelas e as apresente nas próximas semanas”, declarou a porta-voz do Governo, Maud Bregeon, na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros.

Bregeon, que é também ministra da Energia, indicou que Macron advertiu de que as preocupações dos jovens estão a ser politicamente exploradas, numa alusão velada ao partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI, na sigla em francês).

“O Presidente da República insistiu que os jovens estão a expressar legitimamente as suas preocupações, mas que estas estão a ser politicamente exploradas e transformadas em violência urbana, com cenas inaceitáveis sob todos os pontos de vista, incluindo ontem (terça-feira), nos vários locais de concentração”, destacou.

As manifestações de terça-feira mobilizaram em França entre 161.500 pessoas, segundo o Ministério do Interior, e 480.000, segundo os sindicatos de estudantes, que exigem um investimento adicional de 10.000 milhões de euros no setor educativo no Orçamento do Estado para 2027.

A porta-voz do Governo sublinhou ainda a necessidade, expressada pelo Presidente francês, de proteger os professores e condenar os ataques às forças de segurança e aos profissionais de educação.

“É preciso distinguir, por um lado, as reivindicações legítimas e, por outro, a violência inadmissível, que é instrumentalizada e transformada em violência urbana, com confrontos com as forças de segurança e os profissionais da Educação Nacional – esta deve ser condenada de forma unânime”, insistiu.

O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, também hoje reiterou que o movimento estudantil tem sido “explorado” pelo partido LFI para “fins eleitorais”.

“Atiçaram as chamas, depois fingem condenar a violência e, agora, até se esqueceram de o fazer. Esta hipocrisia prejudica França”, afirmou, na sessão de fiscalização do executivo no Senado.

Entre as prioridades apontadas pelo Presidente francês estão, segundo Bregeon, a melhoria das instalações escolares, a revisão dos horários e o reforço da orientação académica.

O Governo, segundo Macron, deverá também dar continuidade aos esforços para colmatar a falta de professores.

O ministro da Educação, Édouard Geffray, previu a colocação, nos próximos dias, de 3.000 professores em funções de substituição, 2.000 dos quais foram já contratados, segundo dados apresentados na reunião do Conselho de Ministros.

Geffray, que na quinta-feira se reunirá com associações de estudantes, afirmou hoje à estação televisiva BFMTV que cerca de 4% das 3.700 escolas secundárias do país continuam encerradas, numa altura em que o Governo espera que as férias escolares, que começam no sábado e se prolongam até ao início de novembro, contribuam para reduzir a mobilização.

No entanto, os dirigentes estudantis mais ativos sustentam que não cederão e mantêm a exigência de investimentos de 10 mil milhões de euros no setor da educação.

Para tal, apelam para a manutenção dos protestos pela falta de recursos educativos e para a adesão, no próximo sábado, a novas mobilizações, convocadas nas redes sociais, contra o custo de vida, nas quais se promove o regresso dos “coletes amarelos”, que protagonizaram os protestos de 2018 em todo o país.

Cerca de 7.950 pessoas (6.773 das quais menores) foram detidas desde o início do movimento de contestação estudantil, no final de setembro, e 26 delas ficaram em prisão preventiva, segundo um balanço do Ministério da Justiça.

Até à data, 148 trabalhadores do sistema educativo ficaram feridos nos protestos, indicou Lecornu, bem como 937 polícias e 248 estudantes, alguns com muita gravidade.

O sindicato policial Alliance anunciou que vai apresentar uma queixa contra o Estado por colocar em risco a vida dos agentes, denunciando “ordens contraditórias” recebidas pelos polícias, que ficaram “expostos à violência e abandonados à mercê da hostilidade pública” nestes protestos.

Ciberataque a supermercados na França pode estar em andamento

A autoridade francesa de cibersegurança alertou hoje para a probabilidade de um ciberataque a supermercados ainda estar em curso, depois de sistemas de refrigeração de centenas de lojas terem sido alvo de hackers na segunda-feira.

Lusa | 16:14 – 14/10/2026

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.