A mãe de Gabriela Barbosa, a brasileira morta pelo filho de 15 anos, na semana passada, em Algés, chegou esta manhã a Portugal. A mulher garantiu que vai lutar pela guarda da neta, de 4 anos, e que não sente ódio do neto.
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18/08/2026
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A mãe da mulher morta pelo filho de 15 anos, na semana passada, em Algés, Oeiras, já se encontra em Portugal. À chegada ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, a brasileira garantiu que vai lutar pela guarda da neta mais nova, a menina de 4 anos que estava em casa quando o irmão assassinou a progenitora e que, entretanto, foi entregue a uma pessoa idónea.
“Quero a minha neta. Eu falava: ‘Gabi, vem embora para a mãe’. Eu queria isso, mas parece que a Justiça [portuguesa] não queria assinar [a autorização para os menores viajarem], nem o pai, que está preso”, revelou em entrevista à CNN Portugal.
Apesar de não ter dado grandes pormenores sobre o caso, a mulher não tem dúvidas que a filha gostaria que a menina ficasse com a avó materna.
“Ela dizia-me: ‘eu vou, deixo a Antonella com você’. Ela queria voltar para o Brasil no final do ano, estava a ver se conseguia com a assistente social, com o tribunal ou com o pai dos filhos o papel. Dizia-me: ‘vou levo a ‘To’, deixo-a com você, e o Pedro deixo com a avó paterna. E eu falei: ‘Oh Gabi mas, nesse caso, pode deixar o Pedro também aqui'”, contou, acrescentando que antes de a família se ter mudado para Portugal morava perto dela e que o jovem de 15 anos – que matou a mãe – estudava numa escolas localizada nas imediações.
A mãe de Gabriela admitiu que sabia das agressões e que a filha lhe dizia que já não aguentava o comportamento do filho. Ainda assim, nunca acreditou que o jovem fosse capaz de matar a mãe, porque, na sua opinião “ela não era uma mãe ruim”.
“A minha filha falava: ‘mãe, eu não aguento mais o Pedro. Ele não quer ir para a escola. Não vai para a escola, fica aqui o tempo todinho perturbando a Antonella”, adiantou.
Apesar de lhe ter ‘roubado’ a filha, a mãe de Gabriela não tem “ódio, nem raiva” do neto. “Não tenho ódio, nem raiva porque ódio e raiva é uma coisa que vai para o coração e você adoece”, evidenciou.
Ao site O Globo, a advogada da família de Gabriela Barbosa já tinha revelado que esta queria ficar com a menina, de 4 anos, e levá-la para o Brasil.
Além disso, segundo Gisely Steagall, os familiares da mulher assassinada vão pedir uma indemnização ao Estado português porque, segundo a advogada, o Estado “falhou na proteção” de Gabriela e dos filhos.
Para já, o pedido de indemnização ainda não tem um valor definido, mas na opinião de Gisely Steagall deve ser suficiente para cobrir as despesas dos menores até à maioridade.
Recorde-se que, na passada semana, um jovem de 15 anos matou a mãe, em Algés, Oeiras, com um ‘mata-leão’, um golpe de estrangulamento e imobilização usado em artes marciais.
Posteriormente, permaneceu em casa, junto do cadáver da progenitora, e da irmã, de 4 anos, durante várias horas. Só depois chamou as autoridades.
Ao longo dos últimos dias soube-se que a família estava sinalizada pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Oeiras, que o Ministério Público (MP) tinha acesso a vídeos suspeitos e que a Polícia de Segurança Pública (PSP) chegou mesmo a recusar uma queixa por parte do rapaz contra a mãe, pelo crime de violência doméstica, por este ser menor e não estar acompanhado de um adulto.
O adolescente encontra-se agora internado num centro de acolhimento, em regime fechado, durante os próximos três meses. A medida será reavaliada dentro de dois meses.

