Manifestantes decidem não pernoitar no Rossio, mas continuam no protesto

Manifestantes decidem não pernoitar no Rossio, mas continuam no protesto

Os manifestantes reunidos em assembleia popular na Praça do Rossio, em Lisboa, aprovaram hoje, por maioria, não pernoitar na rua, permanecendo no local em protesto até à meia-noite e meia.

© PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP via Getty Images


22/10/2026
por

Lusa

Os manifestantes reunidos em assembleia popular na Praça do Rossio, em Lisboa, aprovaram hoje, por maioria, não pernoitar na rua, permanecendo no local em protesto até à meia-noite e meia.

 

A proposta para ficar ou não a pernoitar no Rossio foi colocada a votação na assembleia popular, tendo gerado algum debate entre os que defendiam pernoitar e os que preferiam ir descansar após cinco noites passadas na praça.

A maioria votou por não pernoitar para irem descansar para reunirem forças para a manifestação de sábado.

No início da assembleia, uma porta-voz da organização informou os presentes das indicações que tinham sido dadas pela polícia, de que a partir da meia-noite e meia poderiam permanecer sem tendas, ou seja, dormindo o relento como aconteceu na noite anterior.

Além desta decisão, os manifestantes aprovaram também incluir uma nova reivindicação na lista que têm vindo a defender, que é limitar o alojamento local na Área Metropolitana de Lisboa e na Área Metropolitana do Porto.

Durante o período de intervenção aberta, ouviram-se críticas às declarações de hoje do presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), Benjamim Pereira, que disse duvidar se a “sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício” que gerações anteriores fizeram para ter uma casa.

Foi ainda feito um apelo para, na sexta-feira, às 18:00, comparecerem no Bairro do Condado, em Marvila, para protestar contra o despejo de uma viúva com dois filhos menores de uma casa municipal, pela Gebalis – empresa de gestão da habitação municipal.

Alguns participantes defenderam também por a realização de uma greve geral ibérica.

Pelas 21:30, a assembleia popular ainda decorria.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.

PSP permite protesto noturno no Rossio, desde que sem tendas

Centenas de pessoas juntaram-se esta noite na Praça do Rossio, em Lisboa, para dar continuidade aos protestos pelo direito à habitação, com a PSP autorizando a permanência ao relento.

Lusa | 20:16 – 22/10/2026

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