João Almeida considera que a causa da habitação é legítima, mas recorda que “os manifestantes estavam no terreno por sua vontade e tiveram várias oportunidades de evitar o que aconteceu”. Segundo o deputado do CDS, “a polícia estava no terreno por obrigação de cumprimento da lei e não podia de maneira nenhuma evitar o que aconteceu”.
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01/11/2026
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Notícias ao Minuto
O deputado do CDS João Almeida reagiu, este domingo, numa conferência de imprensa realizada no Porto, à intervenção da Polícia de Segurança Pública (PSP) durante a madrugada nas cidades de Lisboa e Porto sobre as acampadas pelo direito à habitação.
“[O CDS] Reafirma que em democracia e num Estado de Direito há princípios dos quais não se pode prescindir: A lei, a ordem, a autoridade do Estado e certamente o direito à manifestação. A causa da habitação é, certamente, uma causa legítima. Há muitos portugueses que neste momento sofrem para encontrar uma habitação e para poderem pagar as suas rendas. Não é um problema de agora, mas é um problema que merece atenção e tem merecido a atenção deste Governo”, começou por dizer.
Segundo João Almeida, é “por isso que as manifestações participadas de ontem à noite merecem a atenção do CDS e o respeito pelos milhares de manifestantes que estiveram na rua durante a tarde de forma tranquila e pacífica”.
“Por isso mesmo também não houve qualquer incidente a registar. Coisa diferente é o que se passa à noite, já não é a primeira vez, com ocupação ilegítima do espaço público, com danificação de património público e privado”, declarou, acrescentando: “Houve apelos à violência, que se acabasse com a polícia, com os tribunais e até com os media. Isso não é aceitável num Estado de Direito. Portanto, coisas como faixas que se viram ontem a apelar a uma intifada europeia não podem passar”.
“Por isso, a polícia agiu com ponderação, durante quatro horas respeitou tudo aquilo que a lei e as diretrizes implica – o diálogo, a tentativa de dissuasão dos manifestantes e o apelo a que se cumpra a lei. Isso foi feito junto dos manifestantes, de políticos no local e de advogados dos manifestantes. Só depois de várias horas e de vários apelos é que ocorreu a intervenção, perante a desobediência e o radicalismo daqueles que não acataram as instruções da polícia e que agrediram, inclusivamente, esses agentes que estavam no terreno. Os polícias são também pessoas, têm as suas famílias em casa a ver estes acontecimentos e preocupadas com a sua integridade física e com o cumprimento da missão que estão a desempenhar. Certamente lamentamos também o que aconteceu do lado dos manifestantes, mas é muito importante salientar uma coisa: os manifestantes estavam no terreno por sua vontade e tiveram várias oportunidades de evitar o que aconteceu. A polícia estava no terreno por obrigação de cumprimento da lei e não podia de maneira nenhuma evitar o que aconteceu“, sublinhou o centrista.
Numa nota política, o deputado referiu que o CDS vê “com muita preocupação” a reação do secretário-geral do Partido Socialista.
“José Luís Carneiro fez parte de um Governo que agravou substancialmente o problema da habitação em Portugal, tem portanto responsabilidades diretas naquilo que vivemos neste momento. Foi ministro da Administração Interna e durante esse tempo as polícias tiveram intervenções em tudo semelhantes àquilo que aconteceu desta madrugada, não pode ser irresponsável e negar agora o que aconteceu no passado. Os portugueses começam a aperceber-se de uma coisa: o PS quer ser alternativa, mas ia ficar refém da extrema-esquerda e da rua, sem qualquer autoridade e sem qualquer rumo político. Se é isso, o CDS está convencido de que os portugueses não preferem essa alternativa”, rematou.
Recorde-se que na carga policial da madrugada de hoje, em que a PSP avançou praticamente em simultâneo sobre os manifestantes concentrados nas acampadas em Lisboa e no Porto para que desmobilizem, retirando tendas, foram detidas 13 pessoas, seis em Lisboa e sete no Porto, registando-se vários feridos.

