O ministro dos Transportes de Espanha reiterou hoje que uma falha no centro de controlo dos comboios de alta velocidade parece ter causado o acidente desta semana, em que morreram pelo menos 69 pessoas, e recusou demitir-se.
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30/10/2026
por
Lusa
O ministro dos Transportes de Espanha reiterou hoje que uma falha no centro de controlo dos comboios de alta velocidade parece ter causado o acidente desta semana, em que morreram pelo menos 69 pessoas, e recusou demitir-se.
O centro de controlo estava a operar no momento do acidente de quarta-feira em Urda, Toledo, em circunstâncias de “absoluta normalidade” e com 16 controladores na sala, disse Oscar Puente, numa conferência de imprensa de Madrid.
O ministro realçou que nas salas de controlo há “ecrãs e diversos sistemas” que permitem localizar os comboios que estão nas vias e todos “esses sistemas funcionaram”, além de estarem estabelecidos protocolos de atuação.
Segundo o governo espanhol e gravações das comunicações com o centro de controlo, o maquinista de um dos comboios recebeu indicações erradas de um operador, que não respeitavam os protocolos estabelecidos para a situação em que se encontrava, acabando por colidir a mais de 180 quilómetros por hora noutra composição que estava parada na mesma linha.
Os dois comboios, que faziam a ligação entre Madrid e Sevilha, tinham ficado parados devido à falha do sistema de controlo automático da circulação, por problemas de comunicações entre equipamentos.
A falha desse sistema, conhecido como LZB, faz parar os comboios automaticamente e a circulação passa a ser coordenada por um centro de controlo.
O centro de controlo deu instruções aos comboios para avançar com “marcha normal”, ou seja, a alta velocidade, seguindo o protocolo errado para esta situação, segundo peritos e o próprio governo.
Além disso, o centro de controlo não fez depois parar o comboio que estava atrás apesar de o outro ter informado que não conseguia arrancar.
Segundo disse hoje o ministro, a queda ou falha do sistema ferroviário LZB é relativamente frequente e habitual e só em 2026 já aconteceu 170 vezes, um número que garantiu estar “dentro da normalidade europeia” e “muito estável nos últimos seis ou sete anos”.
Por outro lado, em resposta a perguntas dos jornalistas, assim como declarações de sindicatos e trabalhadores da empresa pública Adif, que gere as infraestruturas ferroviárias de Espanha e gere os centros de controlo da circulação dos comboios, garantiu que o quadro de pessoal “dedicado ao controlo” cresceu 60% desde 2018, além de terem sido introduzidas “melhorias tecnológicas”.
Oscar Puente disse ainda que o tempo de dois anos de formação e experiência mínimas para uma pessoa ser operadora no centro de controlo está “regulada pela lei” e segue procedimentos auditados pela agência ferroviária europeia.
Sobre o operador em concreto que comunicou com os maquinistas dos comboios do acidente de quarta-feira, esclareceu que tem 48 anos e tem vários de experiência em centros de controlo. Além disso, “conhecia bem o setor” em que ocorreu este acidente.
O ministro confirmou, por outro lado, que numa incidência como a desta semana um operador não fica sozinho e há pelo menos duas pessoas “na mesa” de gestão, incluindo um supervisor.
Sobre os pedidos da oposição para que se demita, o ministro considerou que este não é momento para falar da sua continuidade no cargo, mas de “dar a cara”, esclarecer o que aconteceu, dar explicações e encontrar soluções, garantindo que também foi isto que lhe pediu o primeiro-ministro, Pedro Sánchez.
Oscar Puente garantiu ainda que não se vai “esconder atrás de ninguém” nem “utilizar um trabalhador como escudo”, referindo-se ao operador do centro de controlo que deu instruções aos maquinistas.
O acidente desta semana em Urda foi o segundo com comboios de alta velocidade este ano em Espanha, depois de em janeiro terem morrido 46 pesos numa colisão em Adamuz, Córdova.
Pedro Sánchez reconheceu hoje que há uma “quebra de confiança” na rede ferroviária espanhola de alta velocidade, a segunda maior do mundo, e que não são aceitáveis dois acidentes desta magnitude em menos de um ano.
Já o líder da oposição e do Partido Popular (PP, direita) considerou na quinta-feira que têm de ser assumidas responsabilidades políticas.
Vários partidos têm pedido a demissão do ministro dos Transportes nos últimos dias e perguntado a Sánchez quais são as consequências de não ser aceitável para Espanha ter dois acidentes destes em menos de um ano.

