O Governo prevê que a economia moçambicana cresça 1,6% em 2027, com inflação média de 7% e défice orçamental de 4,6% do PIB.
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16/10/2026
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Lusa
O Governo prevê que a economia moçambicana cresça 1,6% em 2027, com inflação média de 7%, um défice orçamental de 4,6% do PIB e a entrada em funcionamento do Banco de Desenvolvimento de Moçambique.
As metas constam da proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2027, a que a Lusa teve hoje acesso, documento que estabelece as prioridades económicas e sociais do executivo para o próximo ano, a submeter ainda à Assembleia da República.
A proposta assume como prioridade a sustentabilidade das contas públicas: “No plano da gestão fiscal, a política orçamental para 2027 será orientada por uma abordagem prudente, credível e de disciplina macro fiscal”.
O Governo prevê mobilizar recursos globais equivalentes a 511.162 milhões de meticais (7.099 milhões de euros), ao mesmo tempo que pretende reduzir o défice orçamental para 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) e limitar o recurso do Estado ao crédito interno a 1,9% do PIB.
“Sustentado por este enquadramento, o quadro macroeconómico projeta para 2027 um crescimento real do PIB de 1,6%, em paralelo com uma trajetória de desaceleração da inflação média anual para 7,0%”, acrescenta-se na proposta.
Para 2026 prevê-se um crescimento económico de 0,6% do PIB, após a revisão em baixa pelo Governo, que admitiu um impacto equivalente a 2% do PIB devido às cheias do início do ano.
A proposta prevê receitas do Estado de cerca de 427 mil milhões de meticais (5,9 mil milhões de euros), equivalentes a 23,5% do PIB, enquanto as despesas e operações financeiras deverão atingir aproximadamente 511 mil milhões de meticais (7,1 mil milhões de euros), correspondentes a 28,1% do PIB. Desta forma, o défice orçamental centra-se em cerca de 83 mil milhões de meticais (1,2 mil milhões de euros), correspondente a 4,6% do PIB.
O Governo descreve o PESOE como “o principal instrumento de programação económica, social e orçamental do Governo”, orientado para a “consolidação da estabilidade macroeconómica e para a promoção do desenvolvimento sustentável e inclusivo de Moçambique”.
Segundo o documento, a transformação económica será uma das principais prioridades do próximo ano, assente no aumento da produção nacional, diversificação da economia e desenvolvimento de cadeias de valor.
“O executivo irá priorizar a operacionalização de iniciativas estratégicas de elevado impacto multiplicador”, refere-se na proposta, apontando-se como principais instrumentos o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), o Fundo de Promoção de Oportunidades para a Mulher (PRO-MULHER) e o Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM).
O FDEL deverá dispor de uma dotação de 1,5 mil milhões de meticais (20,8 milhões de euros), enquanto o PRO-MULHER contará com 500 milhões de meticais (6,9 milhões de euros) para financiar negócios produtivos e geração de rendimento.
Já o Banco de Desenvolvimento de Moçambique, a lançar em 2027, é apresentado no documento como um instrumento destinado ao “financiamento de projetos estratégicos de longo prazo”, com potencial para aumentar a produção e a produtividade, sobretudo nos setores da energia, agricultura, indústria e turismo.
O executivo sustenta ainda que a combinação destes mecanismos com a atração de investimento direto estrangeiro e reformas do ambiente de negócios deverá permitir mitigar as restrições de crédito enfrentadas pelo setor privado, em particular pelas micro, pequenas e médias empresas.
Na agricultura, considerada estratégica para a segurança alimentar e criação de emprego, o Governo prevê produzir 17.600 toneladas de sementes certificadas, assistir 1.482.451 produtores e 8.845 pescadores, distribuir 155 mil kits agrícolas e disponibilizar 100 mil silos multiúsos.
O plano inclui igualmente a capacitação de 2.646 piscicultores, a entrega de 170 embarcações motorizadas, a disponibilização de 500 gaiolas flutuantes e o financiamento de 54 projetos de pesca.

