Moçambique lança campos para entrar no mercado do turismo de golfe

Moçambique lança campos para entrar no mercado do turismo de golfe

O Governo moçambicano anunciou que pretende transformar Chigamane, no distrito de Vilankulo, num novo destino de turismo de golfe, através de um projeto cuja construção arrancou hoje e que visa reforçar a oferta turística, atrair visitantes e criar emprego local.

© Reuters


07/11/2026
por

Lusa

O Governo moçambicano anunciou que pretende transformar Chigamane, no distrito de Vilankulo, num novo destino de turismo de golfe, através de um projeto cuja construção arrancou hoje e que visa reforçar a oferta turística, atrair visitantes e criar emprego local.

 

A iniciativa foi anunciada pela Presidência da República, após o lançamento da primeira pedra para a construção de campos de golfe pelo Presidente moçambicano, Daniel Chapo, numa cerimónia realizada em Chigamane, localidade integrada naquele distrito turístico da província de Inhambane.

Em comunicado, a Presidência refere que o empreendimento é uma aposta na diversificação da oferta turística de Vilankulo, procurando reforçar a capacidade de atração do distrito e consolidar a sua posição como destino de referência nos mercados turístico nacional e internacional.

“A iniciativa pretende atrair turistas de várias regiões de Moçambique e de países como África do Sul, Zimbabué, Tanzânia e Zâmbia, criando condições para dinamizar a economia local, estimular o desenvolvimento empresarial e ampliar a participação dos operadores nacionais na cadeia de valor do turismo”, lê-se.

O projeto enquadra-se na estratégia mais ampla definida pelo Governo para desenvolver o turismo de golfe na província de Inhambane. Em outubro, o executivo aprovou o enquadramento regulamentar da nova Zona Especial para o Turismo de Golfe (ZETG), criada para captar investimento nacional e estrangeiro e desenvolver um segmento turístico de elevado valor acrescentado.

Estabelecida pelo decreto n.º 56/2026, a ZETG abrange os distritos de Vilankulo, Inhassoro, Massinga, Jangamo, Zavala e Govuro, podendo ser alargada futuramente a outras zonas da província.

O diploma define como objetivo transformar Inhambane numa “plataforma de excelência internacional no domínio do turismo de golfe, hospitalidade de alto padrão, lazer sofisticado e investimento turístico especializado”, consolidando simultaneamente a província como “Capital e Polo Nacional do Turismo” de Moçambique.

Nesse âmbito, os projetos aprovados na zona especial passam a beneficiar de um regime próprio de incentivos, incluindo acesso a terras reservadas para investimento, benefícios fiscais, garantias não fiscais e prioridade no repatriamento de dividendos para investidores estrangeiros.

O modelo prevê igualmente a criação do Fundo de Desenvolvimento do Turismo de Golfe (FDTG), destinado a financiar infraestruturas, formação técnica, promoção internacional, torneios, programas comunitários para jovens e iniciativas de sustentabilidade ambiental e conteúdo local.

A gestão da zona foi atribuída à estatal Agência Nacional para o Desenvolvimento Integrado do Turismo (Anditur), responsável por apoiar investidores, facilitar processos de licenciamento, emitir pareceres sobre projetos e procurar soluções de financiamento para os empreendimentos aprovados.

Segundo a nota divulgada hoje pela Presidência, as máquinas e os equipamentos necessários à execução das obras em Chigamane já se encontram no local, permitindo avançar com a implementação do projeto.

Além da componente turística, o investimento deverá produzir benefícios económicos e sociais para as comunidades locais, através da criação de postos de trabalho, sobretudo para jovens e mulheres, e da promoção de programas de formação profissional e desenvolvimento de competências.

Entre as áreas de capacitação previstas, destaca-se a formação em língua inglesa, considerada pelo Governo uma ferramenta importante para melhorar a qualidade do atendimento e dos serviços prestados aos visitantes internacionais.

Em julho, o governador de Inhambane, Francisco Pagula, disse à Lusa que a província previa iniciar ainda este ano a construção do primeiro campo de golfe, num investimento privado estimado em cinco milhões de dólares (4,3 milhões de euros), estando igualmente em negociação um segundo projeto inserido na estratégia de transformar Inhambane numa referência regional da modalidade.

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