“Não são armas”. PAN quer regular utilização de cães pelas polícias

O partido PAN deu entrada no Parlamento a um projeto de resolução que recomenda a limitação do uso de cães policiais em manifestações e reuniões públicas. A porta-voz Inês Sousa Real defende a regulamentação do bem-estar animal nas forças de segurança, evitando situações de stress e sofrimento.

© Diogo Baptista/SOPA Images/LightRocket via Getty Images


04/11/2026
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Notícias ao Minuto

O partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) quer regular a utilização de cães em operações policiais e deu entrada, esta quarta-feira, na Assembleia da República, do projeto de resolução “Cães não são armas: por uma intervenção policial que respeite o bem-estar animal”. 

 

Em comunicado, enviado às redações, o partido explica que esta “iniciativa recomenda ao Governo a limitação da utilização de cães pelas forças de segurança em operações de manutenção ou reposição da ordem pública que envolvam manifestações, concentrações ou outras reuniões públicas e a regulamentação da sua detenção por parte das forças militares e de segurança pública”, como a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Polícia de Segurança Pública (PSP).

“Para o PAN, os cães não podem ser utilizados como instrumentos de intimidação, ameaça, contenção ou dispersão de pessoas que estejam a exercer pacificamente o seu direito constitucional à reunião e à manifestação. A presença destes animais em contextos de elevada tensão, marcados por ruído, agitação e confrontos, pode desencadear situações imprevisíveis, aumentar o medo e a insegurança e contribuir para uma escalada de violência, que ponha em causa a segurança das pessoas e o bem-estar e integridade física dos animais”, destacou a porta-voz do partido, Inês Sousa Real, citada na nota. 

O projeto de resolução surge na sequência das recentes intervenções policiais nos protestos pelo direito à habitação, em Lisboa e no Porto, durante as quais o PAN “tem manifestado preocupação pela utilização de cães junto de manifestantes”.

Neste sentido, o partido considera “urgente estabelecer limites claros a esta prática, protegendo simultaneamente os direitos fundamentais das pessoas e o bem-estar dos animais envolvidos”.

“Não se pretende pôr em causa o trabalho desenvolvido pelas unidades cinotécnicas das forças de segurança, cujo papel dos cães em missões especializadas de busca e salvamento, localização de pessoas desaparecidas e deteção de estupefacientes, explosivos e outras substâncias ou objetos é reconhecido e deve ser valorizado. Mas não podemos ler uma ausência de regulamentação que ponha em causa o bem-estar destes animais, que arriscam, sem hesitar, a sua própria vida nas diferentes missões ou intervenções do quotidiano”, acrescenta Inês Sousa Real.

O partido sustenta ainda a sua posição com a recomendação de organizações internacionais, que defende a não utilização de cães para controlo de tumultos, contenção ou dispersão de manifestações. 

Neste sentido, o PAN considera que é necessário preencher o vazio regulamentar que existe e estabelecer regras claras que limitem a utilização de cães nestes contextos, privilegiando estratégias de prevenção e diálogo ou de recurso aos demais meios que se encontram ao dispor das forças de segurança.

O partido pretende também reforçar o enquadramento jurídico de proteção dos cães ao serviço das forças de segurança, considerados pelo Decreto-Lei n.º 314/2003 de 17 de dezembro, que aprovou Programa nacional de luta e vigilância epidemiológica da raiva animal e outras zoonoses (PNLVERAZ), como “Animal para fins militares ou policiais”, mas cuja demais legislação é omissa quanto a estes animais.

“Existe um dever acrescido, por força do serviço que estes animais prestam também ao país, ao integrarem as forças militares, policiais e até as organizações de voluntariado de proteção civil, de se garantir que existem normas que acautelam o seu bem-estar, períodos de descanso, alojamento, cuidados de saúde e até reforma. O seu trabalho não pode não representar uma diminuição da tutela jurídica de proteção que lhes é devida e proteção e bem-estar. É precisamente por reconhecermos a importância das unidades cinotécnicas que defendemos regras claras para garantir que estes animais não são colocados em situações de risco ou sofrimento desnecessários”, sublinhou Inês Sousa Real. 

PAN exige que Montenegro peça desculpa ao país por atuação da PSP

A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, exigiu hoje que o primeiro-ministro peça desculpa ao país pela atuação da polícia nos protestos pela habitação e se disponibilize para dialogar com os manifestantes.

Lusa | 17:41 – 02/11/2026

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