“Não te protegemos, Lara”. Pedro Chagas Freitas reage a morte de menina

Pedro Chagas Freitas expressou a sua indignação e tristeza pela morte da pequena Lara, de apenas oito anos, assassinada pela madrasta em Valpaços. O crime foi motivado por vingança após desentendimentos familiares.

© Instagram – Pedro Chagas Freitas


20/06/2026
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Notícias ao Minuto

Pedro Chagas Freitas não ficou indiferente à trágica morte da pequena Lara, de oito anos, que foi assassinada pela própria madrasta. O crime aconteceu em Valpaços, por “vingança”, depois do marido de Eulália, Carlos, se ter desentendido com o seu filho devido a uma zanga entre as crianças. 

 

O escritor fez uma emotiva partilha nas redes sociais onde lamenta o sucedido, assumindo uma culpa coletiva devido ao facto da menina não ter sido protegida. 

“Desculpa-nos. Não te protegemos. Deixamos-te sozinha no meio das nossas guerras, das nossas misérias. Tinhas oito anos. Não devias preocupar-te com o ódio asqueroso dos que se dizem maiores do que tu, não devias morrer por causa dele. Tenho vergonha da minha espécie. A vingança é uma doença fatal. Uma das doenças mais letais que o ser humano inventou. E sobretudo uma das mais estúpidas: uma das mais mentirosas. Promete terminar uma dor, reparar a injustiça, equilibrar a balança, devolver aquilo que foi perdido”, referiu o escritor.

“Mentirosa. A vingança não devolve nada; só rouba mais, e mais, e mais. Acrescenta cadáveres, sofrimento, dor, escuridão. A vingança é uma besta com fome infinita. Começa numa pessoa, depois avança para outra, e outra, e outra. Num instante, já não sabemos onde começou, de onde veio. Há famílias inteiras destruídas assim, pessoas que passam décadas a alimentar uma ferida que acaba por se tornar na única identidade que lhes resta. A vingança cria sacerdotes do próprio sofrimento. Gente que pensa espalhar justiça e que só espalha monstruosidade. Eu acho que é no meio da merda da vingança que nascem os monstros. Todos os vilões começam numa vingança”, acrescentou.

“Tu sabias, não sabias, Lara? Quem passa demasiado tempo a conversar com o monstro deixa de distinguir a sua voz da dele. Não quero justificar o que te fizeram. Há coisas que não podem ser absolvidas. Podem ser analisadas, estudadas. Não podem ser absolvidas. As crianças vivem dependentes da bondade dos adultos. Não escolhem os pais, as casas, os conflitos, os ambientes, as guerras. São colocadas no centro delas, esperam que nós façamos o nosso trabalho. É o contrato mais básico da humanidade. O mais sagrado de todos. Não o cumprimos, Lara. Não o cumprimos. Acredito que a grandeza de uma sociedade se mede pela forma como trata quem é incapaz de se defender: uma criança, um idoso, um doente, todo e qualquer vulnerável. É aí que se vê quem somos”, escreveu Chagas Freitas.

“Somos uns trastes, Lara. Nenhuma guerra entre adultos vale uma criança. Desculpa, desculpa. Descansa em paz. Se conseguires, perdoa-nos”, concluiu o escritor.

Lara foi morta pela madrasta por “vingança”. Suspeita ouvida hoje

Uma menina de 8 anos foi morta pela madrasta, em Valpaços, por “vingança”, depois do marido se ter desentendido com o filho, devido a uma zanga entre as crianças. A suspeita, que terá premeditado o crime será hoje presente a primeiro interrogatório judicial.

Natacha Nunes Costa | 09:05 – 19/06/2026

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