O Conselho de Supervisão da Meta, empresa que controla Facebook, Instagram e WhatsApp, reconheceu hoje “falhas recorrentes” na moderação de conteúdos relacionados com as eleições presidenciais no Brasil e intercalares nos EUA.
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20/10/2026
por
Lusa
O Conselho de Supervisão da Meta, empresa que controla as redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp, reconheceu hoje “falhas recorrentes” na moderação de conteúdos do grupo relacionadas com as eleições presidenciais no Brasil e intercalares nos Estados Unidos.
“Desde a remoção de contas de ativistas políticos durante manifestações nos Estados Unidos, antes das eleições intercalares, até restrições técnicas que afetaram as contas de um candidato presidencial no Brasil — gerando acusações de interferência eleitoral —, é evidente que a Meta precisa de fazer mais para garantir que as suas práticas de moderação durante os períodos eleitorais são transparentes e consistentes”, declarou o Conselho de Supervisão em comunicado.
Este organismo é financiado pela Meta, que é obrigada a acatar as suas decisões, mas não as suas recomendações.
No dia anterior, a Justiça brasileira tinha dado um prazo de 24 horas para que o grupo norte-americano comprovasse que estava a dispensar um tratamento igualitário nas suas redes às campanhas do Presidente em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva, e do seu adversário conservador Flávio Bolsonaro.
A segunda volta da eleição presidencial, que se realiza este domingo, vai definir o vencedor entre os dois candidatos, que aparecem atualmente empatados nas sondagens de intenção de voto.
No entanto, o Presidente de esquerda, Lula, acusou a Meta de restringir a circulação dos seus conteúdos no Instagram e no WhatsApp.
A Meta negou qualquer parcialidade no processo eleitoral. A empresa reconheceu ter desativado, por engano, anúncios da campanha de Lula, atribuindo o facto a “incidentes” técnicos que não se limitam ao Brasil.
“Alertamos repetidamente que, durante eleições e períodos de elevada tensão política, as falhas na moderação de conteúdos da Meta costumam manifestar-se de duas formas: uma aplicação excessiva das regras, que reprime o discurso político, e uma aplicação insuficiente, que compromete a integridade do processo eleitoral”, destacou o Conselho de Supervisão da Meta.
O organismo reiterou ainda o pedido para que o grupo adapte os seus sistemas de moderação aos contextos eleitorais.
Dezenas de manifestantes protestaram hoje em frente à sede da Meta em São Paulo para exigir que a multinacional tecnológica pare de interferir nas presidenciais brasileiras e de favorecer Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral.
“Meta, não se meta” era a palavra de ordem entoada pelos manifestantes na segunda-feira, à frente do edifício que alberga o escritório da empresa dona do Whatsapp, Instagram e Facebook, no famoso centro financeiro da capital paulista, Faria Lima, onde bandeiras e cartazes criativos erguidos no meio da concentração davam o tom ao protesto.

