O jornal Novaya Gazeta, título de referência da imprensa independente na Rússia, anunciou hoje o encerramento devido à censura e à pressão das autoridades russas.
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30/10/2026
por
Lusa
Novaya Gazeta
O jornal Novaya Gazeta, título de referência da imprensa independente na Rússia, anunciou hoje o encerramento devido censura e à pressão das autoridades russas.
“O ‘Novaia Gazeta’ deixa de existir. (…) As autoridades russas, os serviços especiais russos, obrigaram a redação a encerrar a atividade”, afirmou o editor-chefe do Novaya Gazeta, Serguei Sokolov, numa declaração publicada hoje nas redes sociais.
O jornal conhecido pelas investigações sobre a corrupção e cujo antigo chefe de redação, Dmitri Muratov, foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz em 2021, indicou ainda que vai encerrar a atividade na Rússia no início do próximo mês.
“Mataram-nos. No dia 09 de novembro, apagaremos a luz na nossa casa, onde vivemos durante 30 anos. Vamos desligar os servidores e partiremos. O jornal já não existe. As autoridades e os serviços secretos russos obrigaram a redação a interromper o trabalho”, acusou hoje o portal oficial da publicação.
As autoridades russas confiscaram em 2022 a licença do jornal para publicar material impresso ou na internet.
Os membros da redação do Novaya Gazeta que continuavam a trabalhar para apoiar um portal de características semelhantes no estrangeiro relataram que, após mais de 30 anos de percurso “ao lado do país (Rússia) e dos cidadãos”, foram “atirados para a rua”, sem meios de subsistência e sob a ameaça constante de repressão.
“Vivemos anos de felicidade, repletos de criatividade e esperanças, leitores, amigos, textos e filmes. Mas, por vezes, esses anos foram também terrivelmente amargos. Amargos porque foi precisamente durante o atual regime — e não nos anos 1990, marcados pela ‘máfia’ — que vários dos nossos colegas foram assassinados por motivos políticos, por cumprirem o dever profissional e cívico”, destacou hoje o jornal.
Além de expulsarem o Novaya Gazeta da sede, as autoridades russas desativaram o sistema de donativos que permitia receber contribuições dos leitores.
“Privaram-nos de recursos. Completamente. Trata-se de uma ação coordenada (…) por agentes do Serviço Federal de Segurança (FSB) que se infiltraram em todas as organizações”, denunciaram.
A redação acusou o Governo russo de reintroduzir a censura, bloquear a publicação por todos os meios, confiscar a gráfica e impedir qualquer possibilidade de publicação.
“O nosso editor-chefe, o prémio Nobel da Paz Dmitri Muratov, foi atacado, ficando quase cego. Não foram apresentadas acusações criminais, apesar de os autores serem conhecidos. Depois, os nossos jornalistas começaram a ser rotulados como ‘agentes estrangeiros'”, acrescentou a nota da redação.
Segundo o Novaya Gazeta, a pressão governamental “é a história de um país e de uma sociedade que estão a ser aniquilados exatamente da mesma forma”.
“Isto está a ser feito pelo FSB, pelo Ministério da Justiça, pela Procuradoria e por outros que privatizaram o Estado e usurparam o poder”, transformando-o numa “ditadura militar”.
“Dizem que defendem a ordem constitucional. Mas não. Trata-se de uma ordem inconstitucional. Pois a Constituição foi violada, agredida e amordaçada”, acrescentou a nota.

