Morreu o repórter Jorge Duarte, repórter da SIC que esteve sequestrado no Irão por narcotraficantes em 1999. O cativeiro durou na altura 22 dias. Foi depois diagnosticado com SIDA. Tinha 66 anos.
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30/10/2026
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Notícias ao Minuto
Morreu o repórter Jorge Duarte, aos 66 anos. Esteve ao serviço da SIC e foi um dos três portugueses que foram sequestrados no Irão por narcotraficantes, em 1999, durante a expedição Lisboa-Macau. Na altura, tinha 39 anos.
De acordo com a SIC Notícias, Jorge Duarte enfrentou várias lutas e muitas delas relacionadas com problemas de saúde. Sofreu um enfarte, um AVC, um melanoma e um cancro do pulmão.
Em 2023, quando esteve à conversa com Júlia Pinheiro, Jorge Duarte recordou todo o seu percurso, que inicialmente achava que iria conseguir construir carreira no futebol, mas esse sonho foi destruído após cair de uma altura de quatro andares. Acabou depois por vir a televisão.
“Primeiro era câmara no estúdio. Na altura começou depois a ser preciso muita gente e não havia técnicos formados. Ganhava-se bem”, recordou ao falar com a apresentadora. Entretanto, começou a fazer exteriores. Na vida pessoal casou-se e teve dois filhos, Rita e Pedro, mas esta união “não durou muito anos, porque a vida tornou-se complicada”.
“A ganhar tão bem… Não estava preparado, e de conhecer tanta gente, tanto artista… [E não estava preparado] para o que havia à volta. E aí estamos a falar de drogas”, confessou, tendo lembrado os anos de toxicodependência.
Jorge Duarte admitiu que na altura “ficou sem nada” e esteve até a viver na rua. Mas no meio de tanto sofrimento, “teve grande amigos”. Até que a morte do irmão mais novo lhe deu forças para conseguir deixar o vício. “O meu pai deu conta que eu estava perto [de morrer] e disse-me: «Que mal é que eu fiz para um filho morrer. Um filho está a falar comigo porque ainda está quente, e e o outro desce à terra». Aquilo bateu-me tão forte que fui com ele logo para o Norte. E foi a minha primeira desintoxicação.” Veja aqui.
Jorge Duarte falou também de quando esteve sequestrado no Irão. Esteve 22 dias refém. Foram raptados por um grupo de tráfico de droga em 1999. “A ideia era usarem-nos como reféns para troca.”
Ao lembrar os momentos em que viveu em cativeiro confessou que fumou ópio. “O medo presente. Mas a partir do momento em que se começa a fumar ópio, o medo passa. […] Tem-me atormentado. De vez em quando volta, porque foram 22 dias de muito sofrimento, de não saber se ia voltar, se morria ali, se estavam dispostos a libertar-nos, se estavam dispostos a matar-nos.” Veja aqui esta parte da entrevista de Jorge Duarte.
Ao partilhar o seu testemunho de vida, Jorge Duarte falou também do seu grande amor, Tatiana Simons, e do dia em que ambos foram diagnosticados com SIDA.
“Era quase impossível ter vivido naquele sítio sem ter apanhado nada. Achava que podia ter apanhado uma hepatite, mas não foi só a hepatite. Foi VHI”, contou Jorge Duarte ao lembrar o seu passado. Tatiana ficou infetada também. E na altura “deram-lhes 10 anos de vida”. Veja aqui o testemunho de ambos.

