A Justiça de Taiwan colocou em prisão preventiva um funcionário da Nvidia por suspeitas de envolvimento no envio ilegal de servidores de inteligência artificial para a China, num processo relacionado com alegadas violações dos controlos norte-americanos às exportações.
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28/07/2026
por
Lusa
Num comunicado divulgado hoje, a Procuradoria do distrito de Keelung, no norte de Taiwan, informou que ordenou, em 24 de julho, buscas à residência e ao local de trabalho de um suspeito de apelido Chang, sem identificar a empresa onde trabalha.
Segundo o ministério Público, Chang é suspeito, entre outros crimes, de falsificação de documentos elaborados no exercício da atividade profissional.
Após o interrogatório, os procuradores consideraram existirem fortes indícios da prática de crimes e risco de fuga, destruição de provas e conluio com outros suspeitos e testemunhas, tendo solicitado a prisão preventiva, sem possibilidade de visitas ou contactos com o exterior, medida que foi autorizada pelo tribunal.
A agência Bloomberg avançou hoje, citando fontes anónimas, que o suspeito é um funcionário da gigante norte-americana da área dos semicondutores Nvidia, naquele que será o primeiro caso conhecido de uma ação judicial das autoridades taiwanesas contra um trabalhador da empresa.
A investigação constitui a terceira vaga de buscas conduzida pela Procuradoria de Keelung no âmbito de um processo sobre o alegado envio ilegal para a China continental, Hong Kong e Macau de servidores de IA de elevada capacidade equipados com ‘chips’ avançados da Nvidia, contornando os controlos às exportações impostos pelos Estados Unidos.
Em maio, a Procuradoria anunciou a abertura da investigação, indicando que os equipamentos estavam sujeitos a restrições rigorosas e não podiam ser exportados para aqueles destinos sem licença.
As diligências ocorrem semanas depois da detenção de dois funcionários da empresa norte-americana Super Micro Computer e de um administrador da Albatron Technology, distribuidora da Super Micro em Taiwan, durante a segunda fase da investigação.
Num comunicado divulgado em 21 de maio, os investigadores afirmaram que esses três suspeitos sabiam que os servidores estavam abrangidos por controlos de exportação e que a sua venda para a China, Hong Kong e Macau era totalmente proibida.
A investigação taiwanesa foi aberta cerca de dois meses depois de a Justiça norte-americana ter acusado três pessoas, entre elas o cofundador da Super Micro Computer, Yih-Shyan “Wally” Liaw, de alegadamente violarem as leis norte-americanas de controlo das exportações.
Segundo a acusação nos Estados Unidos, os arguidos conspiraram para enviar para clientes chineses servidores no valor de milhares de milhões de dólares equipados com tecnologia sensível, incluindo unidades de processamento gráfico (GPU), sem as licenças exigidas.
De acordo com fontes citadas pela Bloomberg, as autoridades taiwanesas apreenderam cerca de 50 servidores antes de estes abandonarem a ilha.
Contudo, um carregamento anterior terá conseguido sair de Taiwan, passando pelo Japão antes de chegar a Hong Kong, um dos principais pontos de trânsito para equipamento tecnológico posteriormente reexportado para a China continental.

