A ONU alertou que a quase totalidade da população de Gaza, cerca de dois milhões de pessoas, continua sem alojamento adequado antes da chegada do inverno, exigindo acesso para a entrega de ajuda humanitária.
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09/10/2026
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Lusa
A quase totalidade da população de Gaza, cerca de dois milhões de pessoas, continua sem alojamento adequado antes da chegada do inverno, alertou hoje a ONU, exigindo acesso para a entrega de ajuda humanitária.
Perto de 1,8 milhões dos cerca de dois milhões de palestinianos de Gaza “preparam-se para enfrentar um quarto inverno sem proteção adequada contra a chuva, as inundações e o frio”, declarou a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
A situação ocorre um ano após o anúncio do cessar-fogo de outubro de 2025, entre o grupo extremista palestiniano Hamas e Israel, notou a agência especializada da ONU.
“Os materiais necessários para os abrigos devem poder entrar rapidamente, de forma previsível e em quantidade suficiente” no território, advertiu a diretora-geral da OIM, Amy Pope, citada num comunicado.
A OIM alertou para “a falta de financiamento e as restrições persistentes impostas pelas autoridades israelitas à entrada de material essencial para os abrigos”.
De acordo com a OIM, mais de metade das tendas e abrigos improvisados atualmente em utilização estão em mau estado e precisam de ser substituídos.
As tendas são concebidas como uma medida de emergência temporária e duram geralmente apenas entre seis e 12 meses, precisou.
“À falta de alternativas, muitas famílias vivem em edifícios danificados pela guerra que apresentam graves riscos para a sua segurança”, referiu a organização, citada pela agência francesa AFP.
Em setembro, 21 pessoas morreram na cidade de Gaza, após o colapso de um edifício de seis andares que tinha sido atingido durante o conflito.
Doze das vítimas eram crianças, recordou a OIM.
A OIM alertou também que a intensificação do fenómeno climático El Niño deverá “provocar precipitações mais abundantes”.
As chuvas poderão “fragilizar ainda mais edifícios já precários, enquanto os sistemas de drenagem gravemente danificados expõem a população a inundações”.
Num contexto de quebra no financiamento da ajuda humanitária, “as capacidades combinadas de aprovisionamento dos parceiros humanitários cobrem de forma muito escassa 17% das necessidades identificadas para o inverno”, afirmou Pope.
A OIM denunciou que tem equipamento de ajuda armazenado fora de Gaza pronto para ser entregue que permanece bloqueado devido à falta de acesso aos pontos de passagem por parte das autoridades israelitas.
O equipamento inclui tendas, ‘kits’ de abrigo de emergência, unidades de alojamento, madeira, ferramentas e outros materiais.
As equipas humanitárias utilizam, quando possível, materiais disponíveis localmente ou reciclados, mas estes esforços “continuam a ser insuficientes para responder às consideráveis necessidades em matéria de alojamento”, advertiu a OIM.
No início de setembro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) avisou que as condições precárias em que vivem os habitantes de Gaza faziam temer um agravamento dos riscos sanitários com a aproximação da época das chuvas.
Nas atuais condições na Faixa de Gaza, a estação das chuvas é propícia ao desenvolvimento de pragas, mosquitos, bolores e bactérias, segundo a OMS.
Grande parte do enclave palestiniano foi destruída durante a ofensiva israelita que se seguiu ao ataque do grupo palestiniano em Israel em 07 de outubro de 2023.

