As autoridades francesas proibiram manifestações em Orleães no domingo, durante o comício de lançamento da campanha presidencial de Marine Le Pen, por medo de perturbações da ordem pública.
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22/10/2026
por
Lusa
As autoridades francesas proibiram hoje qualquer manifestação no próximo domingo em Orleães, onde decorrerá o comício de lançamento da campanha presidencial da líder de extrema-direita Marine Le Pen, no âmbito do congresso do seu partido.
A prefeitura (delegação do Governo) do departamento de Loiret anunciou hoje nas redes sociais que a proibição de mobilizações no domingo, por receio de perturbações da ordem pública, vigorará entre as 07:00 e as 22:00 locais (06:00 e 21:00 de Lisboa).
Para as 10:30 de domingo (09:30 de Lisboa), estava convocada uma manifestação contra o racismo, o fascismo e o imperialismo, apoiada por cerca de 50 organizações.
Estava também prevista a montagem de uma “aldeia antifascista”, com expositores de associações e ‘workshops’, na qual se esperava a presença de representantes políticos e sindicais, entre os quais, o dirigente socialista Olivier Faure e a secretária-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Sophie Binet.
O governador do departamento, Hugues Mouthou, indicou que se prevê a chegada à cidade de entre 20.000 e 30.000 pessoas procedentes de todo o país, incluindo “entre 2.000 e 3.000 elementos radicais”.
A proibição de manifestações foi anunciada na véspera de um fim de semana de grande tensão em Orleães, cidade de cerca de 116 mil habitantes, onde o partido de extrema-direita União Nacional (RN, na sigla em francês) vai realizar o seu congresso.
Além disso, Orleães prepara-se também no sábado para uma nova mobilização dos “coletes amarelos”, após os protestos de 17 de outubro contra o aumento do custo de vida — manifestações que foram marcadas por atos de violência, danos em edifícios públicos e pilhagens em estabelecimentos comerciais em várias cidades francesas.
O presidente da Câmara de Orleães, Serge Grouard, anunciou hoje um dispositivo preventivo excecional para evitar distúrbios durante o fim de semana.
“O meu objetivo é proteger Orleães. Aqui não haverá caos, não poderá haver”, declarou o autarca, depois de expressar preocupação com possíveis confrontos na tarde e na noite de sábado e no domingo.
As medidas municipais incluem a suspensão de todas as linhas de elétricos durante o dia de sábado, a retirada das bicicletas de aluguer do centro, o encerramento de museus e o cancelamento de espetáculos. Será também proibido estacionar nas vias públicas do centro da cidade a partir da meia-noite de sexta-feira.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou um grande reforço de forças de segurança para proteger o congresso, ao passo que o Presidente, Emmanuel Macron, afirmou hoje de manhã que os governadores departamentais podem proibir ações de protesto em todo o país, sempre que haja risco de perturbação da ordem pública.
Segundo números hoje atualizados pelo ministro da Justiça, Gérald Darmanin, 217 pessoas já foram encarceradas por envolvimento nos atos de violência relacionados com os protestos do passado fim de semana em França, de um total de 2.700 detenções.
O partido de Marine Le Pen anunciou também hoje que o Governo se comprometeu a destacar 3.000 polícias e guardas-republicanos para “blindar” no domingo, em Orleães, o comício de lançamento da campanha da candidata da extrema-direita às eleições presidenciais em França, marcadas para 18 de abril e 02 de maio de 2027.
“Estamos satisfeitos com este compromisso do Estado (…). Além das forças de segurança pública, contaremos com 200 agentes de segurança privada”, indicaram fontes do RN, que estimaram entre 5.000 e 10.000 o número de simpatizantes e militantes presentes no congresso do fim de semana.

