“Os engenheiros não veem”? Obras na ponte Marechal Carmona geram revolta

As obras na Ponte Marechal Carmona, que devem durar dois anos, estão a causar atrasos significativos para quem a utiliza diariamente. Moradores reclamam da demora e pedem soluções para minimizar o impacto.

© Shutterstock


19/10/2026
por

Andrea Pinto

Dois anos de obras e um investimento de 22 milhões. Estes são os números que saltaram à vista aquando do anúncio do início das obras de reabilitação da Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira, Lisboa. Porém, novos números estão a causar indignação entre quem atravessa diariamente esta infraestrutura. 

 

É que um percurso que levava cerca de 15 minutos a concluir tem, nas últimas semanas, demorado em média, mais de 45 minutos (às vezes 1 hora). Quem atravessa a ponte diariamente e precisa cumprir horários, diz que é insustentável.

Ninguém contesta a importância das obras que estão a ser levadas a cabo. Mas exigem-se mais medidas para minimizar o impacto das mesmas.

Obras de 22 milhões são necessárias

Foi em junho que a Infraestruturas de Portugal previu começar as obras que representam um investimento de 22 milhões para o reforço estrutural da Ponte Marechal Carmona, sobre o rio Tejo, localizada na Estrada Nacional 10, em Vila Franca de Xira.

“A IP informa que a empreitada de reabilitação da Ponte Marechal Carmona está na fase final do processo de contratação, estimando-se que a consignação e o respetivo início das obras possam ocorrer até ao final do mês de junho”, indicou fonte da IP, numa breve resposta escrita enviada na altura à agência Lusa.

Ora, na sequência do anúncio feito, começaram a prever-se complicações  junto àquela que é uma das principais portas de entrada e saída do concelho de Benavente. E em menos de um mês do início das obras, as queixas somam-se todos os dias.

“Saí de Samora às 7h20, cheguei a Vila Franca às 8h15. Achamos isto normal?”, queixava-se nas redes sociais uma internauta, enquanto outro afirma que “estou aqui também há mais 45 minutos do que o normal. É incomportável”.

Todos os dias, queixas como estas somam-se entre os grupo de moradores na região, que questionam: “Mas os engenheiros desta obra não veem o que se passa?”.

O Notícias ao Minuto sabe que a circulação nesta ponte, que se fazia em três vias, está agora reduzida a duas. Tudo poderia fazer-se com alguma normalidade, não fosse o facto de diariamente, e a toda a hora, aqui passarem dezenas de camiões. É precisamente a passagem destes que têm causado constrangimentos dado que as vias disponíveis obrigam a que os camiões abrandem ou parem a circulação de cada vez que se cruzam na ponte. 

Pedem-se soluções: fim das portagens ou dos camiões

Desde cedo que se procuram soluções para os constrangimentos que já se esperavam durante os 900 dias de obras. Em junho, recorde-se, a Câmara Municipal de Benavente solicitou ao Governo a isenção total do pagamento de portagens nestes troços ou, em alternativa, a suspensão da cobrança nos períodos de maior tráfego, entre as 7h e as 10h e entre as 16h30 e as 19h30 para quem circula na A1, A10 ou A13, utilizando a Ponte das Lezírias, como alternativa.

A ideia, contudo, não foi acolhida pela IP, que garantia, na altura, que a circulação não seria afetada. O que não se tem vindo a verificar.

Entre os que diariamente passam a ponte pede-se ainda, como outra solução, que se proíba a passagem de camiões pela ponte durante este período.

“Se o Estado exige compreensão aos cidadãos perante os incómodos inevitáveis da obra, então tem também o dever de criar condições para minimizar os seus impactos”, lembram os locais.

A Ponte Marechal Carmona, recorde-se, assegura a ligação fundamental entre as duas margens do rio Tejo, assumindo-se vital para as populações, sendo um dos mais importantes eixos de ligação entre o norte e o sul do país em termos logísticos para a circulação de mercadorias, escreve a autarquia de Benavente.

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