Sem nunca mencionar o nome do antigo chefe do Executivo Pedro Passos Coelho, tampouco do Chega, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, frisou que “este PSD não precisa, não deve e o país não ganha nada se estiver acorrentado ao partido que está à nossa direita”, esta segunda-feira.
© João Pedro Domingos / PSD
12/10/2026
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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, respondeu, esta segunda-feira, às declarações proferidas pelo antigo chefe do Executivo Pedro Passos Coelho, que considerou que, no início da legislatura, o Partido Social Democrata (PSD) “tinha a obrigação” de ter tentado um acordo com o Chega e a Iniciativa Liberal (IL). Sem nunca mencionar o nome do social-democrata, tampouco do partido encabeçado por André Ventura, Montenegro vincou que “este PSD não precisa, não deve e o país não ganha nada se estiver acorrentado ao partido que está à nossa direita”.
“Tivemos uma eleição, tivemos um congresso. Já tínhamos tido a eleição nacional, portanto temos agora um duplo compromisso: o compromisso com o povo e o compromisso com os militantes do PSD, e esse compromisso é para cumprir. Não vamos andar mês a mês, trimestre a trimestre, ou semestre a semestre a repetir as decisões. As decisões estão tomadas e são para levar até ao fim. Não tenho dúvidas: este PSD não precisa, não deve e o país não ganha nada se estiver acorrentado ao partido que está à nossa direita e que é, hoje, o segundo partido com maior representação parlamentar na Assembleia da República”, disse Montenegro, no jantar de comemoração da vitória autárquica de Pedro Duarte à Câmara Municipal do Porto.
O líder social-democrata complementou que “o país quer, quis e precisa de um Governo que governe, e é isso que tem”, uma vez que dialoga “com quem está disponível, matéria a matéria, com quem é capaz de ceder e de aproximar”.
“Nós não governamos o país na base das birras, das cismas, dos complexos de ninguém. Nós governamos o país na base do interesse dos cidadãos, das instituições, da sociedade portuguesa”, asseverou.
Contudo, o primeiro-ministro ressalvou que os militantes do PSD não são “daqueles que se acham mais inteligentes do que os outros, mais dotados do que os outros, e que acham que têm sempre razão”, ainda que sejam “dos que têm uma linha, com rumo, com convicção”.
“É precisamente por isso que, quando no PSD se apresenta [uma proposta] aqui ou acolá, mesmo que de forma repetitiva, às vezes com uma visão diferente, nós não deixamos de ouvir. […] Quando, no início deste ano, se quis apresentar essa visão como alternativa, como outra opção, nós fizemos o que se impunha e desafiámos o partido a ser claro. Temos sempre de ser claros mas, quando estamos no Governo, temos ainda de ser mais claros, porque temos a confiança acrescida do povo. Portanto, venha de onde vier, se há alternativas de pensamento, devem ser a analisadas e foi isso que fizemos, tranquilamente, no PSD”, disse.
De notar que Pedro Passos Coelho argumentou, em entrevista à SIC Notícias, que o PSD “tinha a obrigação” de ter tentado um acordo com o Chega e a IL, no início da legislatura, porque os três partidos somaram mais de 60% dos votos no último sufrágio.
“Se no fim de todo este período não for possível a estas três forças políticas apresentarem um suporte mínimo para reformas importantes que o país precisa de fazer, eu julgo que todos eles serão penalizados. Uns mais do que outros, mas todos eles serão penalizados“, advertiu, no domingo, defendendo que o PSD deveria chegar-se à frente, por ter sido o partido mais votado.
Passos Coelho manifestou ainda a expectativa de que o PSD possa vir a ser “bem-sucedido” na governação, assim como que possa sair do que classificou como uma “armadilha política imensa” de fazer acordos ora com o PS ora com o Chega, uma conjetura que, na sua ótica, impede o Executivo de fazer reformas profundas.

