Países árabes e muçulmanos saúdam sanções britânicas a colonatos

Países árabes e muçulmanos saúdam sanções britânicas a colonatos

Oito países árabes e muçulmanos, incluindo Arábia Saudita, Jordânia e Turquia, saudaram hoje as sanções anunciadas pelo Reino Unido aos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada e instaram a restante comunidade internacional a adotar medidas semelhantes.

© Mosab Shawer / Middle East Images / AFP via Getty Images


09/09/2026
por

Lusa

Num comunicado, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos oito países declararam “congratular-se com a decisão do Governo do Reino Unido de proibir a importação de produtos provenientes de colonatos israelitas ilegais no território palestiniano ocupado”, saudando igualmente os outros países ocidentais que estão a impor restrições ao comércio com aqueles colonatos.

 

Depois de 12 países ocidentais, incluindo Portugal, terem anunciado a intenção ou reafirmado a decisão de bloquear o comércio com os colonatos israelitas na Cisjordânia, resta saber como vão aplicar essa medida, que afetará particularmente um setor agrícola assente no cultivo do território palestiniano ocupado.

Após a abrupta reação de Israel — que tomou o Reino Unido como bode expiatório e anunciou o encerramento do seu consulado em Jerusalém —, várias destes países (Suécia, Dinamarca e Finlândia) declararam hoje ao jornal israelita Haaretz que só aplicarão tais medidas se estas estiverem enquadradas numa decisão de toda a União Europeia (UE).

Outros, como o Reino Unido, França e o Canadá, já advertiram na terça-feira que tencionam executá-las ao nível nacional, como fez Espanha, que proibiu a importação de produtos dos colonatos israelitas em setembro de 2025.

“A UE é o principal parceiro comercial de Israel, tendo em 2025 representado 31,7% do comércio total de bens de Israel com o resto do mundo”, refere o ‘site’ da Comissão Europeia.

Apenas 5% deste montante provém dos colonatos com que Israel ocupa ilegalmente território na Cisjordânia, segundo dados da Associação de Produtores de Israel citados pelo Haaretz.

Segundo um porta-voz do Ministério da Economia israelita, citado pela agência de notícias espanhola EFE, algumas dezenas de empresas israelitas exportam produtos de colonatos para outros países; esses produtos são sobretudo alimentos frescos, tâmaras, saladas prontas a consumir e equipamento de irrigação.

Os colonos israelitas mantêm extensas plantações de fruta no vale do Jordão (origem de um dos principais produtos de exportação: as tâmaras), mas também vinhas e adegas noutros pontos do enclave palestiniano, bem como parques industriais, entre outras instalações.

Segundo um estudo da organização não-governamental (ONG) israelita WhoProfits e do grupo belga CIDSE, cerca de 45 empresas que produzem nos colonatos exportam para a União Europeia.

Destas, 11 concentram-se em produtos agrícolas, embora o grupo inclua também empresas dos setores alimentar e das bebidas, da construção, do tratamento de águas residuais e dos plásticos, além de um número significativo de adegas.

Alguns dos exportadores mais conhecidos que fornecem tâmaras para supermercados europeus são a Hadiklaim, a Field Produce Marketing Ltd. e a Agrexco Carmel, que obtêm os seus produtos no vale do Jordão, situado na fronteira oriental da Cisjordânia.

Estes produtos são exportados para a UE ao abrigo de um regime diferente do aplicado aos produzidos em território israelita, uma vez que não estão abrangidos pelo acordo comercial entre os países europeus e Israel e, por isso, estão sujeitos a tarifas alfandegárias mais elevadas.

Por isso, a UE exige que Israel os rotule de forma a indicar que não são originários do território israelita.

No caso do Reino Unido, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ed Miliband, anunciou a proibição da importação de mercadorias procedentes dos colonatos e foi mais longe, impondo sanções às empresas britânicas que prestem serviços para a expansão dos colonatos, como as construtoras.

O Gabinete de Direitos Humanos da ONU identificava três empresas britânicas numa lista de junho de 2023 de companhias com atividades ligadas aos colonatos israelitas.

Uma dessas empresas geria alojamentos turísticos nos colonatos e anunciou que iria encerrar essa atividade, ao passo que as outras duas trabalham no setor da construção civil.

Para já, o Reino Unido não forneceu pormenores específicos sobre quais as empresas que serão afetadas ou sobre o valor monetário das importações provenientes dos colonatos, embora tenha deixado claro que a medida só entrará em vigor num prazo de seis a nove meses.

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