Pelo menos 40 pessoas, incluindo crianças, foram assassinadas num ataque perpetrado por homens armados e atribuído a pastores da etnia fulani no leste da Nigéria, no estado de Taraba, segundo fontes locais e a Amnistia Internacional (AI).
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25/10/2026
por
Lusa
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Pelo menos 40 pessoas, incluindo crianças, foram assassinadas num ataque perpetrado por homens armados e atribuído a pastores da etnia fulani no leste da Nigéria, no estado de Taraba, segundo fontes locais e a Amnistia Internacional (AI).
Conforme avançou à agência espanhola EFE Musa Abdullah, um líder comunitário local, mais de 50 homens armados invadiram na sexta-feira a aldeia de Binnari, na localidade de Karim Lamido, e começaram a disparar.
“Os fulani atacaram a aldeia a partir de duas direções pouco depois da oração de sexta-feira. Disparavam contra todos aqueles que se cruzavam no seu caminho”, relatou Abdullah.
Segundo o líder comunitário, “até ao momento, foram recuperados 42 corpos e as buscas continuam, porque algumas pessoas continuam desaparecidas”, enquanto alguns feridos estão a receber cuidados médicos.
Os atacantes também saquearam lojas e incendiaram casas.
“Muitas pessoas fugiram das suas casas após os ataques. Deixaram a aldeia praticamente em ruínas”, acrescentou.
Outro residente, chamado Aminu Yohanna, estimou em 40 o número de mortos e explicou à EFE que entre as vítimas há mulheres e crianças.
“Há cadáveres por todo o lado. Muitos foram capturados antes de serem mortos a tiro, enquanto outros foram abatidos quando tentavam fugir”, assinalou Yohanna.
“Não sabemos o motivo dos massacres. Os fulani chegaram à aldeia vindos do estado de Plateau. Não sabemos o que fizemos de errado”, lamentou o morador.
No sábado, a delegação nigeriana da organização de direitos humanos Amnistia Internacional (AI) confirmou os factos.
“Além de assassinarem pessoas de forma indiscriminada, os homens armados também incendiaram alimentos, casas, estabelecimentos comerciais e motociclos. A comunidade encontra-se agora repleta de cadáveres, alguns deles carbonizados até ficarem irreconhecíveis, enquanto as famílias denunciam que muitas pessoas continuam desaparecidas”, assinalou a ONG na rede social X.
A Polícia de Taraba confirmou também o assalto, mas estimou inicialmente o número de mortos em 10 num comunicado e indicou que as suas forças tinham sido destacadas para a zona, sem fornecer detalhes sobre os alegados autores.
Taraba e outros estados situam-se na zona que divide o norte e o sul do país, um território que tem sido palco de confrontos por recursos naturais e de tensões étnicas e religiosas.
Nesta zona existe um conflito entre pastores da etnia fulani — principalmente muçulmanos —, que procuram pastagens para o seu gado, e agricultores — na sua maioria cristãos, mas também muçulmanos ou animistas —, que necessitam de terras aráveis.
A esta situação acresce o facto de vários estados do centro e noroeste da Nigéria sofrerem incursões constantes de “bandidos”, termo utilizado no país para se referir a bandos criminosos que cometem assaltos e sequestros em massa para exigir resgates, e que as autoridades por vezes classificam como “terroristas”.

