O primeiro-ministro húngaro, disse hoje que a Hungria está esforçar-se por ser um aliado fiável dentro da UE, ao mesmo tempo que procura restaurar a confiança dos seus parceiros após 16 anos de poder de Viktor Orbán.
© Balint Szentgallay/NurPhoto via Getty Images
23/10/2026
por
Lusa
O discurso de Peter Magyar, proferido durante a festa nacional que assinala o 70º aniversário do levantamento antissoviético de 1956, brutalmente esmagado pelos tanques de Moscovo, contrastou claramente com os do nacionalista Viktor Orbán, seu antecessor, que sendo próximo do Kremlin aproveitava regularmente esta cerimónia para atacar Bruxelas e comparar a União Europeia à União Soviética.
“A Hungria não é um “país refúgio”, não pode derivar indefinidamente entre o Oriente e o Ocidente. Em 1956, o povo húngaro fez uma escolha clara: pertencemos a uma Europa livre e democrática”, afirmou Peter Magyar perante a multidão reunida em frente ao Parlamento, onde flutuava um mar de bandeiras nacionais.
“Queremos ser aliados fiáveis, capazes de nos sentarmos à mesa com a cabeça erguida, e não oportunistas que se isolam através da chantagem e seguem um caminho separado”, acrescentou o conservador pró-europeu.
Para as comemorações, a Hungria recebeu líderes da UE, primeiros-ministros e outros dignitários estrangeiros provenientes de mais de 40 países.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, falou numa sessão solene do Parlamento boicotada pela oposição, incluindo o partido Fidesz, de Viktor Orbán.
“A Hungria nunca se afastou da UE, foi o nosso governo que o fez. Finalmente recuperámos o nosso país (…)”, defendeu em declarações à agência de notícias francesa AFP Attila Rothi, um ‘trader’ de 56 anos.
Veronika, uma reformada de 68 anos que se recusou a dar o apelido, também acredita que a Hungria pertence “a este espaço”.
“Portanto, devemos encontrar o nosso lugar dentro desta comunidade, mesmo que isso implique fazer críticas. E penso que o Magyar está precisamente a fazer isso”, afirmou, citando nomeadamente o financiamento da Ucrânia ou a política migratória, dois assuntos nos quais Peter Magyar, que chegou ao poder em maio, adotou a mesma posição de firmeza que o seu antecessor. “Mas vamos ser construtivos, não hostis”, acrescentou.

