O líder do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, exigiu hoje que sejam assumidas responsabilidades políticas no caso do acidente ferroviário de quarta-feira em Urda, Toledo, e criticou o ministro dos Transportes por transferir a culpa para um operador.
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29/10/2026
por
Lusa
O líder da oposição em Espanha e do Partido Popular (PP, direita) considerou hoje que têm de ser assumidas responsabilidades políticas no caso do acidente ferroviário de quarta-feira em Urda, Toledo.
“As responsabilidades políticas são imprescindíveis do ponto de vista ético e moral”, disse Alberto Núñez Feijóo.
O presidente do PP sublinhou que as responsabilidades políticas “não são opcionais” e não podem depender de investigações ou decisões judiciais.
Feijóo lembrou que Espanha teve este ano dois acidentes com comboios de alta velocidade, no mesmo corredor (entre Madrid e a Andaluzia, no sul do país), em que morreram mais de cem pessoas, o que faz questionar o atual sistema ferroviário do país.
Pelo menos 69 pessoas morreram no acidente de quarta-feira em Urda e outras 46 numa colisão de comboios em janeiro em Adamuz, Córdova.
Feijóo disse hoje que o país precisa de respostas sobre a rede de alta velocidade espanhola e que são necessárias decisões.
Por outro lado, considerou que na quarta-feira o ministro dos Transportes, Óscar Puente, “deitou as culpas para um operador” do centro de controlo da rede de alta velocidade espanhola, numa atitude “frívola e imprópria” de um governante e de um executivo, sobretudo após dois acidentes com esta dimensão em oito meses.
Feijóo falava a jornalistas em Toledo, depois de ter visitado o centro de comando de resposta ao acidente de Urda.
Espanha tem eleições antecipadas em 29 de novembro e o PP, como a generalidade dos partidos, cancelou toda a agenda dos respetivos dirigentes, deixando a pré-campanha parada.
Na quarta-feira, o líder do PP – que as sondagens indicam que será o mais votado nas eleições de 29 de novembro – tinha já exigido investigações governamental e judicial imediatas ao acidente em Urda.
Feijóo defendeu então que as investigações decorram “com todos os meios e sem interferências”, recusando discutir responsabilidades políticas por considerar que não era o dia para isso.
O candidato às eleições de 29 de novembro exigiu ainda uma revisão “completa e independente” da rede ferroviária, afirmando que Espanha “tem o direito de saber o que está a acontecer com as suas infraestruturas”.
Feijóo defendeu também que sejam prestadas contas sobre os investimentos anunciados após o acidente ferroviário de Adamuz.
Segundo o dirigente, os espanhóis têm direito a conhecer o destino de “cada euro” anunciado após aquela tragédia, incluindo os montantes efetivamente executados, recebidos e aplicados.
Em declarações aos jornalistas hoje no mesmo local em que esteve Feijóo, o primeiro-ministro, o socialista Pedro Sánchez, prometeu que serão esclarecidas “até ao último detalhe” as causas do acidente.
O primeiro-ministro garantiu ainda um reforço de segurança “para que não volte a acontecer”.
Na quarta-feira, Sánchez afirmou que “não é aceitável” que um país como Espanha tenha dois acidentes com comboios de alta velocidade num ano e garantiu que as autoridades irão “até ao fim” para descobrir as causas.
“Se houve negligência, será conhecida”, declarou o chefe do Governo espanhol, em declarações aos jornalistas na quarta-feira no local do acidente.
O ministro dos Transportes disse n quarta-feira que o acidente em Urda é “verdadeiramente inverosímil” e deu-se após um dos comboios ter recebido uma ordem “inexplicável” do centro de controlo para avançar quando havia um sinal vermelho e outras composições paradas na mesma linha.
Na origem do acidente de Adamuz esteve o descarrilamento de carruagens de um comboio, que caíram na linha do lado, por onde pouco depois passou outra composição, em sentido contrário.

