O Presidente moçambicano quer alienar ao público 11% do capital do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), liderado pela Caixa Geral de Depósitos, e 25% a investidores nacionais, no âmbito da saída do BPI da estrutura acionista.
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15/10/2026
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O Presidente moçambicano quer alienar ao público 11% do capital do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), liderado pela Caixa Geral de Depósitos, e 25% a investidores nacionais, no âmbito da prevista saída do BPI da estrutura acionista.
“O Governo tem procurado criar condições para que a participação dos 36% atualmente detidos pelo BPI constitua uma oportunidade de alargamento da presença de investidores moçambicanos, incluindo cidadãos, empresas e investidores institucionais, respeitando os procedimentos de avaliação, negociação e autorização legalmente exigidos”, assumiu Daniel Chapo.
Na cerimónia do 28.º aniversário da Bolsa de Valores de Moçambique, em Maputo, o chefe de Estado afirmou que o executivo está a trabalhar para transformar a alienação da participação do banco português numa oportunidade para alargar a presença de investidores moçambicanos no maior banco do país.
O BCI tem um capital social de 10 mil milhões de meticais (138 milhões de euros) e uma estrutura acionista liderada pela Caixa Participações, do grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), com 51%, seguindo-se o também português BPI, com 35,67% – que anunciou publicamente a intenção de sair -, e a própria CGD, diretamente, com 10,51%, entre outros acionistas.
É preciso que, “brevemente”, os moçambicanos possam dizer que o BCI “agora é verdadeiramente daqui”, numa alusão ao ‘slogan’ do banco.
A proposta “em consideração” prevê a “afetação de 11 pontos percentuais ao público moçambicano”, enquanto o Governo continua “a trabalhar para elevar, em coordenação com a direção, incluindo trabalhadores do banco, e de 25 pontos percentuais a investidores institucionais e empresariais, mediante os procedimentos de avaliação, negociação e autorização legalmente exigidos”, detalhou.
Na prática, a proposta apresentada por Chapo prevê a dispersão da totalidade da participação atualmente detida pelo BPI, repartindo-a entre pequenos investidores moçambicanos e investidores institucionais e empresariais.
O Presidente enquadrou a operação numa estratégia mais ampla de desenvolvimento do mercado financeiro nacional, defendendo ser necessário “um mercado de capitais mais profundo, mais líquido e capaz de oferecer instrumentos adequados às necessidades das empresas e dos investidores”.
O executivo está ainda “a trabalhar no aperfeiçoamento do quadro legislativo aplicável a instituições bancárias, seguradoras e outras empresas de relevância económica, com vista a promover uma maior participação nacional no seu capital, respeitando os requisitos prudenciais e regulatórios”, acrescentou.
Para Chapo, essa operação serviria de exemplo para futuras iniciativas semelhantes: “Queremos que esta experiência, caso se concretize nos termos previstos, demonstre que o mercado de capitais pode desempenhar um papel importante na nacionalização económica da propriedade empresarial, sem comprometer a confiança dos investidores, a estabilidade financeira e a competitividade das instituições”.
Em maio, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, reafirmou o interesse do grupo português em manter-se acionista do banco moçambicano, apesar da intenção anunciada pelo BPI de vender a sua posição.
Após um encontro com Daniel Chapo, Paulo Macedo afirmou que a CGD pretendia continuar presente no BCI: “Enquanto as autoridades o acharem conveniente e enquanto formos bem-vindos”, afirmou, sublinhando o compromisso do grupo com Moçambique, admitindo ainda a possibilidade de o banco vir a ser cotado na Bolsa de Valores de Moçambique.
Segundo o mais recente relatório e contas, o BCI manteve em 2025 a liderança do sistema bancário moçambicano, servindo cerca de 2,5 milhões de clientes. Os lucros, contudo, recuaram 40,3%, para 3.604 milhões de meticais (48,6 milhões de euros), impacto que a instituição atribuiu ao reforço das imparidades para exposições à dívida pública, devido ao agravamento do risco soberano, e a custos extraordinários associados à devolução de comissões.

