Príncipe Harry “sentia-se desleal e culpado por ser feliz” sem a mãe

Príncipe Harry

O príncipe Harry esteve a falar abertamente sobre o luto e partilhou a fase delicada pela qual passou após a morte da mãe, a princesa Diana, confessando que se sentiu “desleal e culpado por ser feliz” sem a mãe.

© Getty


09/10/2026
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Notícias ao Minuto

O luto é um tema particularmente delicado para o príncipe Harry, que em pequeno ficou marcado com a morte da mãe, a princesa Diana, em 1997. Na altura o duque de Sussex tinha apenas 12 anos. 

 

Harry, hoje com 42 anos, participou numa nova MasterClass que explorava precisamente o luto, tendo confessado que se sentiu “desleal e culpado por ser feliz” sem a mãe.

Durante anos, lembra, sentiu um “bloqueio emocional”, mas que lhe permitiu entrar num “estado de adrenalina”. E referiu-se a essa capacidade como um “superpoder” que o ajudou a destacar-se nas forças armadas. Essa foi, na verdade, a “distração perfeita” para não ter de enfrentar o luto.

“Assim que percebi de onde vinha o superpoder e qual era a ligação a ele, o meu medo era: se eu me curasse disso, se fosse à procura da solução, será que o perderia? Será que perderia o superpoder? Será que isso significaria perder a ligação com a minha mãe?”, partilhou, como cita a People.

“Passei tanto tempo emocionalmente entorpecido, em grande parte, porque me sentia desleal e culpado pela possibilidade de ser feliz e alegre sem ela. Sentia que tinha de estar triste e que tinha de estar emocionalmente entorpecido para lhe provar que sentia a sua falta”, confessou.

A grande mudança veio quando percebeu que a mãe iria gostar que fosse feliz. “Isso libertou-me e deu-me uma perspetiva totalmente diferente da vida. A chave para tudo isto é conhecer-se a si próprio e saber como o sistema nervoso e todo o corpo reagem a determinadas situações. Por isso, agora consigo reconhecer quando tenho uma descarga de adrenalina e também sei o que não requer adrenalina.”

E quando está num estado de excitação, diz, o que o ajuda a acalmar-se são os exercícios de respiração. “Ainda é um trabalho em curso, certamente porque, muitas vezes, a respiração superficial, a sensação de aperto no peito e todas essas coisas continuam a causar-me grande perturbação.”

“E acho que, mais uma vez, o meu sistema nervoso é facilmente ativado por ter passado 15, 16, 20 anos num estado de hipervigilância e reativo. Mas se conseguir encontrar o tempo e o lugar para poder tirar um momento apenas para respirar e me reconectar, isso, para mim, é uma grande diferença”, acrescentou.

Ainda no MasterClass, Harry falou ainda do momento em que conseguiu chorar a morte da mãe. “Chegou o dia do funeral propriamente dito e, rodeado apenas pela família, longe dos olhares chorosos, longe das câmaras e, suponho, das expectativas e talvez dos julgamentos e dos olhares fixos do mundo, não consegui conter-me e acabei por chorar. E lembro-me de pensar ou sentir que, na verdade, foi muito bom chorar.”

“Anos mais tarde, estava à procura de provas por causa do funeral. Não queria acreditar nisso. Não acreditava que ela tivesse ido embora. Acreditava que ela iria voltar em algum momento. Acredito que ela tinha criado essa saída para fugir de todas as coisas que estavam a destruir a sua vida e que iria regressar à luta disfarçada e, depois, levar-me a mim e ao meu irmão para longe”, desabafou.

“Essa crença protetora durou uma década. O mecanismo de defesa da mente e do corpo consistiu em bloquear as emoções e as memórias. Não apenas as memórias más, mas também as boas. Esqueci-me da voz da minha mãe. Esqueci-me do seu riso. Não conseguia realmente visualizar como ela era sem olhar para uma fotografia dela”, partilhou depois. 

Mesmo encontrado alegria no trabalho solidário, assim como a família, a mulher Meghan Markle, e o dois filhos de ambos, o príncipe Archie, de 7 anos, e a princesa Lilibet, de 5, Harry precisa sempre de um equilíbrio. 

“O fator mais importante para mim é a energia, a alegria e a felicidade que sinto ao estar com a minha família, especialmente com os nossos filhos, e a alegria e felicidade que sinto ao estar no terreno a fazer o meu trabalho. E a chave para encontrar o equilíbrio entre alegria e felicidade é não ficar mais de 10 dias longe da minha mulher e dos meus filhos. Trata-se de equilibrar o meu trabalho e o propósito por trás dele, bem como ser pai e marido, e ver como essas várias identidades se unem”, explicou. 

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