O realizador iraniano Jafar Panahi foi condenado a cinco anos de prisão e proibido de sair do país por dois anos, segundo revelou o seu advogado. O cineasta, conhecido por ser crítico do regime, já foi detido várias vezes e foi condenado anteriormente a seis anos de prisão e vinte anos de proibição de filmar.
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27/10/2026
por
Lusa
O realizador iraniano Jafar Panahi, que já foi alvo de vários processos judiciais no Irão, foi condenado a cerca de cinco anos de prisão e está proibido de sair do país por dois anos, revelou hoje o advogado.
Em declarações ao jornal iraniano Etemad, o advogado contou que o cineasta foi condenado, à revelia, a cinco anos e um mês de prisão pelo Tribunal Revolucionário de Teerão.
O tribunal decidiu ainda confiscar-lhe todos os bens e proibi-lo de sair do país e de usar as redes sociais durante dois anos, tendo já congelado as contas bancárias do realizador.
O advogado disse que ficou a saber desta nova condenação sem que tivesse sido notificado para a realização de qualquer audiência judicial ou julgamento; o tribunal justificou com o facto de Jafar Panahi ter estado ausente do país.
Jafar Panahi é um dos realizadores iranianos mais conhecidos e premiados e é igualmente uma das vozes mais críticas do regime de Teerão, sendo acusado pelo poder político por “propaganda contra o regime”.
Já foi detido e condenado várias vezes, nomeadamente em 2020, quando lhe decretaram seis anos de prisão e vinte anos de proibição de filmar e viajar para o estrangeiro.
Em maio de 2025, Jafar Panahi conseguiu sair do Irão, pela primeira vez em 15 anos, e apresentou o filme “Foi só um acidente” no Festival de Cinema de Cannes, em França, onde conquistou a Palma de Ouro.
Nessa altura, por ocasião da presença em Cannes, Panahi foi perentório em entrevista à Agência France-Presse: “Estou vivo enquanto fizer filmes”.
Depois de ter feito um périplo internacional para apresentar o filme, Jafar Panahi regressou ao Irão a 30 de março deste ano e compareceu em setembro em tribunal por causa de um outro processo judicial, contou o advogado.
Para desmontar o argumento de ausência do país face à nova condenação hoje divulgada, o advogado revela que Jafar Panahi recebeu uma ordem de detenção em maio e que em setembro esteve presente numa audiência do Tribunal Revolucionário relativa a outro processo judicial em curso.

