A rentabilidade das empresas estatais chinesas caiu significativamente entre 2013 e 2024, segundo relatório da OCDE, em contraste com África e América Latina.
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22/10/2026
por
Lusa
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A rentabilidade das empresas estatais chinesas deteriorou-se significativamente entre 2013 e 2024, em contraste com a evolução registada na América Latina e em África, segundo um relatório divulgado hoje pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Na edição de 2026 do relatório anual sobre empresas estatais, a OCDE indica que a percentagem de empresas públicas chinesas com prejuízos aumentou de 17%, em 2013, para 27%, em 2024.
No mesmo período, a mediana da rentabilidade dos capitais próprios (RoE) caiu de 6% para 4%, enquanto a rotação dos ativos diminuiu de 67% para 43%.
Algumas destas empresas são acusadas de contribuir para o excesso de oferta de produtos chineses nos mercados internacionais, uma questão que tem alimentado tensões comerciais entre Pequim e os seus principais parceiros económicos.
A OCDE assinala que a situação das empresas estatais melhorou na América Latina e em África, embora tenha atribuído esta evolução sobretudo à forte presença destas companhias no setor mineiro, que beneficiou de condições mais favoráveis.
De forma geral, as empresas estatais apresentam níveis de rentabilidade inferiores aos das empresas privadas.
Os autores do relatório, que analisaram dados de 58 países, incluindo os membros da organização, calcularam que, entre 2013 e 2024, a rentabilidade média dos capitais próprios das empresas estatais situou-se em 4,7%, contra 6,7% nas empresas privadas.
A análise abrangeu seis setores de atividade: construção, indústria, mineração, imobiliário, serviços e comércio grossista.
As empresas estatais caracterizam-se também, em termos gerais, por níveis inferiores de investimento em investigação e desenvolvimento (I&D) e por uma menor acumulação de capital.
As maiores diferenças de rentabilidade entre empresas públicas e privadas foram registadas nos setores dos serviços e da construção, com uma diferença de cerca de três pontos percentuais.
Para efeitos do estudo, a OCDE considerou empresas estatais, aquelas em que o Estado detém pelo menos 25% do capital.
O setor mineiro constituiu, porém, uma exceção à tendência geral, com as empresas estatais a apresentarem uma rentabilidade mediana de 10%, contra 7% nas empresas privadas.
Segundo a OCDE, esta diferença explica-se, em parte, pela natureza estratégica da mineração, um setor caracterizado por uma forte presença dos governos e por elevados níveis de concentração.
O controlo estatal permite a estas empresas operar a uma escala superior e beneficiar de acesso privilegiado a reservas minerais e a licenças concedidas pelas autoridades públicas.
O estudo abrangeu um total de 33.800 empresas estatais, com ativos avaliados em 141 biliões de dólares (cerca de 125 biliões de euros), o equivalente a 126% do produto interno bruto (PIB) conjunto dos países analisados.
Em 2024, estas empresas empregavam cerca de 43 milhões de pessoas.
As empresas estatais chinesas representavam, por si só, quase 26,5 milhões de trabalhadores, mais do triplo dos 7,4 milhões empregados pelo conjunto das empresas estatais europeias.
Excluindo o setor financeiro, as empresas chinesas concentravam 56% do total de empresas estatais abrangidas pelo estudo, 61% do emprego e 62% dos ativos.
Em termos de peso das empresas estatais no emprego nacional, Singapura liderava a lista, com 16%, seguida do Qatar (12%), Luxemburgo e França (7%).
China, Noruega, Emirados Árabes Unidos e Eslovénia registavam uma proporção de 6%, enquanto Sérvia, Bielorrússia, Suécia e Áustria apresentavam valores de 5%.

