Rússia procura reforçar cooperação com a China

Rússia procura reforçar cooperação com a China

A Rússia pretende reforçar a cooperação com a China na construção naval, através de parcerias tecnológicas e investimentos conjuntos, incluindo o desenvolvimento de navios destinados à navegação no Ártico, afirmou um assessor do Presidente russo, Vladimir Putin.

© Getty Images


13/10/2026
por

Lusa

A Rússia pretende reforçar a cooperação com a China na construção naval, através de parcerias tecnológicas e investimentos conjuntos, incluindo o desenvolvimento de navios destinados à navegação no Ártico, afirmou um assessor do Presidente russo, Vladimir Putin.

 

Nikolai Patrushev, assessor presidencial e presidente do Conselho Marítimo da Rússia, reuniu-se este fim de semana em Pequim com o vice-ministro chinês da Indústria e Tecnologias de Informação, Ke Jixin, de acordo com um comunicado divulgado hoje pelo organismo russo.

Durante o encontro, os dois responsáveis discutiram a possibilidade de empresas chinesas de construção naval tornarem-se parceiras tecnológicas e fornecedoras de equipamentos para novas instalações industriais na Rússia.

A cooperação marítima constituiu o principal objetivo da visita de seis dias de Patrushev à China, iniciada na quinta-feira, em Xangai.

Na cidade chinesa, o responsável visitou o estaleiro Waigaoqiao Shipbuilding, um dos maiores do país, onde reconheceu que a cooperação bilateral na construção naval continua a ser “bastante limitada”, mas considerou existir margem para a expandir.

“Poderíamos, por exemplo, construir conjuntamente uma série de navios da classe de gelo em estaleiros russos, incluindo embarcações destinadas ao transporte marítimo chinês no Ártico”, afirmou Patrushev, durante um encontro com responsáveis da empresa, segundo a televisão estatal russa Rossiya-24.

“Esta tarefa está a tornar-se cada vez mais relevante para a China”, acrescentou.

“A Rússia está atualmente a desenvolver um projeto de grande escala para um corredor de transporte através do Ártico, graças ao qual as rotas comerciais polares se tornarão significativamente mais atrativas e seguras”, afirmou.

Moscovo tem intensificado os esforços para desenvolver a indústria naval nacional, visando reforçar as capacidades de defesa e segurança.

Em 2024, as autoridades russas criaram o Conselho Marítimo, presidido por Patrushev, para coordenar a estratégia do país neste setor.

A Rússia procura também desenvolver as rotas marítimas do Ártico, enquanto a China vê na região uma alternativa para o transporte das suas mercadorias, num contexto de agravamento das tensões geopolíticas.

No início deste mês, durante a reunião anual do Clube de Discussão Valdai, em Moscovo, Putin destacou os investimentos russos na construção de navios destinados a operar nas águas polares.

“Construímos ali um dos maiores estaleiros da Rússia, o Zvezda, que está a produzir uma frota de grandes navios que nem sequer a União Soviética fabricava”, afirmou o Presidente russo, referindo-se às instalações situadas no extremo Oriente do país.

“Iniciámos a produção de navios de transporte de gás natural liquefeito e de grandes embarcações civis adaptadas às operações no Ártico”, acrescentou.

“Sabemos que os nossos amigos chineses também estão interessados neste domínio”, afirmou Putin.

Durante a visita à China, Patrushev deslocou-se ainda à Universidade Jiao Tong de Xangai, reconhecida pela investigação nas áreas da engenharia mecânica, construção naval e engenharia oceânica.

O responsável discutiu o reforço da cooperação entre universidades e institutos de investigação dos dois países, incluindo a possibilidade de desenvolver projetos científicos conjuntos e programas de formação para o setor marítimo.

Patrushev visitou também o porto de Yangshan, a sul de Xangai (leste), integrado no complexo portuário que lidera há 16 anos consecutivos a classificação mundial em movimentação de contentores.

O assessor de Putin defendeu a realização de investimentos conjuntos no desenvolvimento das infraestruturas portuárias russas.

“Podemos concretizar projetos de investimento conjuntos para desenvolver infraestruturas de atracação e terminais nos portos russos, aproveitando a experiência da construção faseada do porto de Yangshan, realizada ao longo de uma década e meia”, afirmou, segundo outro comunicado do Conselho Marítimo russo.

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