Segurança da IA terá levado OpenAI a desistir de entrada na bolsa

Segurança da IA terá levado OpenAI a desistir de entrada na bolsa

O cofundador e CEO da OpenAI afirmou que este momento não é a altura certa considerar uma entrada na bolsa, notando que a indústria está a braços com um debate no que diz respeito à segurança da Inteligência Artificial enquanto tecnologia.

© Getty Images


20/09/2026
por

Miguel Patinha Dias

No primeiro semestre do ano chegou a acreditar-se que a OpenAI poderia iniciar o processo de entrada na bolsa até ao final do ano, com o cofundador e CEO Sam Altman a indicar agora que (afinal) pode ficar para 2027.

 

Numa entrevista com a Fortune, Altman nota que a entrada na bolsa poderá ser adiada para 2027, apontando para o ambiente que se tem feito sentir em torno da Inteligência Artificial enquanto tecnologia – sobretudo no que diz respeito ao desenvolvimento e segurança.

Contudo, Altman não confirma que a entrada na bolsa acontecerá em 2027 e prefere garantir apenas que tal só acontecerá “quando a empresa estiver pronta”.

CEO da OpenAI: “O mundo está certo em ter medo de IA”

O cofundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, admitiu que há bons motivos para ficarmos receosos com o impacto que a Inteligência Artificial desregulada pode ter no mundo em que vivemos.

Miguel Patinha Dias | 22:34 – 16/09/2026

“Temos muitas coisas por fazer. Precisamos cumprir o que será exigido ao nível da segurança e do alinhamento, descobrir como é que a indústria e os governos vão trabalhar em conjunto e como é que uma empresa privada conseguirá fazer isso”, explicou Altman.

Lembrar que a última semana ficou marcada por declarações de líderes de algumas das principais empresas de Inteligência Artificial, nas quais defenderam uma regulação mais “musculada”. Entre eles estiveram não só o próprio Sam Altman, como também Dario Amodei da Anthropic e até o magnata multimilionário Elon Musk.

Zuckerberg rejeita apelos para abrandar desenvolvimento de IA

O diretor executivo da Meta, Mark Zuckerberg, rejeitou os apelos crescentes para suspender ou abrandar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), defendendo que mecanismos de mercado e risco de ações judiciais já funcionam como principais travões para eventuais abusos.

Num texto publicado na rede social X, Zuckerberg afirmou que “as pessoas não vão querer usar agentes que não estejam alinhados com os seus interesses, ou que não façam o que lhes pedem”, de modo que os programadores têm “um forte incentivo natural” para tornar os modelos mais fiéis às necessidades dos utilizadores.

Bill Gates investirá milhões para levar IA para a educação e saúde

O cofundador e ex-CEO da Microsoft, Bill Gates, vai gastar pelo menos mil milhões de dólares através da sua fundação para expandir acesso a ferramentas de Inteligência Artificial. O objetivo também é resolver um dos principais problemas com a tecnologia.

Miguel Patinha Dias | 19:48 – 16/09/2026

O conceito de “alinhamento” refere‑se precisamente ao esforço para que os sistemas se comportem de acordo com a vontade humana.

O fundador da Meta sublinhou que qualquer laboratório que não se concentre nesse alinhamento “ficará para trás” e recordou que a empresa adiou durante meses o lançamento do sistema Muse AI, com agentes personalizados, para reforçar os mecanismos de segurança. “Fizemo‑lo como parte do nosso trabalho diário porque era claramente o correto para as pessoas e para nós”, escreveu.

A discussão sobre a regulação da IA intensificou‑se nas últimas semanas, após incidentes de segurança e sinais de que os modelos começam a evoluir sem intervenção humana. Empresas como OpenAI, Anthropic e Google estudam a criação de um organismo comum para definir normas, enquanto figuras como Dario Amodei, diretor executivo da Anthropic, defendem um abrandamento do ritmo de desenvolvimento.

Guterres insta líderes mundiais a lutar pela paz “agora mais do que nunca”

O secretário-geral da ONU instou hoje os líderes mundiais a “cumprirem as suas promessas” e a lutar pela paz “agora mais do que nunca”, desde o Médio Oriente à Ucrânia, lançando ainda alertas sobre a inteligência artificial.

Lusa | 16:22 – 16/09/2026

Zuckerberg contrapõs que a ameaça de processos judiciais já obriga os laboratórios a agir de forma responsável e que a melhor prática da indústria passa por avaliações independentes dos sistemas.

Acrescentou ainda que a Meta recorre a especialistas externos e apelou à criação de um “ecossistema mais vasto e diversificado de avaliadores”, numa crítica indireta à Anthropic, acusada de privilegiar avaliadores próximos da empresa.

A Meta, que este ano investiu até 145 mil milhões de dólares (125 mil milhões de euros) em infraestruturas de IA, tem resistido a qualquer regulação que possa atrasar os seus modelos. Zuckerberg já tinha defendido em agosto que “nenhuma regra deve atrasar a saída dos modelos americanos, nem sequer por um mês”.

A sua posição foi saudada por várias personalidades da Silicon Valley próximas da Casa Branca, que contestam os alertas sobre os riscos da IA e rejeitam os apelos a travar o seu desenvolvimento.

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.