Serviços israelitas pedem autorização para interrogar políticos árabes

Serviços israelitas pedem autorização para interrogar políticos árabes

O diretor do serviço de segurança interna israelita, David Zini, solicitou ao Ministério Público que autorizasse o interrogatório de quatro políticos árabes, incluindo o líder do partido Raam, Mansur Abbas, por alegada interferência nas eleições.

© Lisi Niesner/Reuters


03/11/2026
por

Lusa

O diretor do serviço de segurança interna israelita, David Zini, solicitou ao Ministério Público que autorizasse o interrogatório de quatro políticos árabes, incluindo o líder do partido Raam, Mansur Abbas, por alegada interferência nas eleições.

 

O chefe do Shin Bet solicitou à procuradora-geral, Gali Baharav-Miara, que autorizasse o interrogatório de Sami Abu Shehadeh, presidente do partido Balad; de Ahmad Tibi e de um quarto deputado, ambos da Lista Conjunta.

Foi o que noticiou a estação de televisão israelita i24, que refere que este último é um membro do Knesset “cuja identidade não pode ser divulgada”.

Entretanto, a procuradora-geral respondeu que “num Estado de direito, é impossível interrogar cidadãos ou titulares de cargos eleitos sem provas que o justifiquem”.

Num comunicado divulgado pelo jornal “The Times of Israel”, Baharav-Miara instou o Shin Bet a apresentar as provas de que dispõe e que “justifiquem uma investigação”.

O partido Likud, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, acusou a procuradora de obstruir a investigação de uma alegada conspiração de ingerência estrangeira no processo eleitoral israelita, um caso que denunciou na quinta-feira, referindo-se a ele como “Ra’amgate”.

“Baharav-Miara está a impedir que o Shin Bet aplique medidas de investigação (…) e pretendia ocultar ao público que se trata de um crime contra a segurança (…) Está a agir para encobrir e frustrar a investigação sobre a manipulação das eleições”, afirmou nas redes sociais, onde denunciou uma “aplicação seletiva da lei”.

Pouco antes, o partido exigiu à procuradora que “cessasse as suas tentativas de encobrir e atrasar a investigação sobre o caso da ingerência estrangeira nas eleições, que deixasse de colocar obstáculos ao Shin Bet e que permitisse a investigação dos deputados dos partidos árabes e dos seus assistentes”.

Além disso, recordou as declarações do juiz Noam Solberg, presidente da Comissão Central de Eleições, que, numa primeira fase, apontou para a alegada participação de atores estrangeiros que teriam intervindo no processo e subornado eleitores para favorecer os partidos árabes, embora tenha posteriormente descartado a tese da fraude eleitoral.

O líder da oposição Gadi Eisenkot, por seu lado, acusou Netanyahu e o Likud de tentarem “levantar um ataque contra a democracia e o Estado de direito”, algo que atribuiu ao seu “desespero” face às dificuldades em formar governo, apesar de terem vencido as eleições com 27 assentos.

“Estão a tentar arrastar-nos a todos para uma perigosa crise constitucional, infelizmente, não é a primeira vez, é precisamente por isso que não são dignos nem aptos para continuar no poder. É por isso que a maioria dos cidadãos de Israel votou contra a sua permanência no cargo”, sublinhou nas suas redes sociais.

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