As gigantes tecnológicas chinesas estão a intensificar os programas de recompra de ações para recuperar a confiança dos investidores, noticiou hoje o jornal South China Morning Post (SCMP).
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02/07/2026
por
Lusa
Estes programas surgiram na sequência de fortes quedas bolsistas causadas por uma vaga de ceticismo em torno do setor e entusiasmo com empresas de inteligência artificial (IA).
Empresas como Tencent, a maior cotada chinesa e a 26.ª maior do mundo, Alibaba, Xiaomi e Meituan registaram quedas entre 30% e 44% no primeiro semestre, acelerando posteriormente o ritmo das recompras de ações, uma prática habitual entre empresas cotadas para apoiar a cotação quando consideram que o mercado está a subavaliar os seus títulos.
Numa compilação divulgada pelo jornal de Hong Kong SCMP, a Tencent recomprou ações no valor de cerca de 1.270 milhões de dólares (1.114 milhões de euros) em junho, o montante mais elevado de 2026, enquanto a Alibaba gastou 50 milhões de dólares (43,8 milhões de euros) apenas na última semana.
A Meituan disse ter adquirido quase 26 milhões de dólares (22,8 milhões de euros) em ações entre segunda e terça-feira, depois de o presidente executivo reconhecer que o desempenho recente da empresa em bolsa ficou aquém do esperado.
A Xiaomi já gastou cerca de 153 milhões de dólares (134 milhões de euros) nesta estratégia desde meados do mês passado.
“Tendo em conta a robustez do fluxo de caixa líquido e os montantes ainda disponíveis nos programas de recompra, esperamos que estas empresas acelerem o ritmo das recompras”, escreveram recentemente analistas da Citi Research num relatório.
Empresas como Alibaba e Meituan envolveram-se numa guerra de preços no mercado da entrega de refeições ao domicílio, situação que levou mesmo à intervenção do Governo chinês, enquanto os investidores voltavam a atenção para empresas totalmente dedicadas à IA, como Minimax ou Zhipu AI.
“As tecnológicas tradicionais têm uma exposição relativamente reduzida ao negócio da IA, o que levou à deslocação de capitais dessas ações para empresas focadas exclusivamente nesta área”, referiu Kenny Ng, analista da Everbright Securities.
Embora os especialistas considerem que os programas de recompra constituem apenas uma solução temporária, disseram acreditar também que as grandes tecnológicas chinesas podem estar próximas de atingir um mínimo bolsista, sustentadas pela solidez dos negócios principais, pela capacidade de gerar lucros e fluxo de caixa de forma consistente e pela volatilidade do setor da IA, que tem servido de principal motor do atual ciclo dos mercados.
Perante este contexto, as tecnológicas chinesas não só intensificaram as recompras de ações, como os principais executivos multiplicaram presenças públicas para tentar recuperar a confiança dos investidores.
O fundador da Alibaba, Jack Ma, reuniu-se com gestores para plantar arroz, enquanto o fundador da Xiaomi, Lei Jun, foi fotografado a comer numa pequena banca de beira de estrada em Wuhan, no centro da China.

