Tom Hiddleston descreve como “a experiência de uma vida” as filmagens de “Tenzing”, o novo filme da Apple TV+ que retrata a histórica conquista do Evereste, em 1953. Para dar vida ao alpinista Ed Hillary, o ator enfrentou frio extremo, aprendeu a escalar no gelo e teve de se adaptar à altitude.
© Dominik Bindl/Getty Images for BAFTA
15/10/2026
por
Lusa
Tom Hiddleston
O novo filme da Apple TV+ “Tenzing”, que conta a história da primeira vez que uma expedição conseguiu chegar ao cume do Evereste, deu a Tom Hiddleston “a experiência de uma vida”, disse o ator numa conferência de lançamento em Los Angeles.
“Nunca tive uma experiência assim antes e provavelmente nunca mais vou ter”, afirmou Hiddleston, que aprendeu a escalar no gelo e teve de se habituar à altitude para dar corpo ao neozelandês Ed Hillary.
“Ter a honra e o privilégio de estar nessas montanhas é experimentar o poder e majestade da natureza, que são eternos”, afirmou. “Estar nos Himalaias é ser lembrado de que a vida humana é muito breve e pequena”.
O filme realizado por Jennifer Peedom estreia-se na Apple TV+ Portugal na sexta-feira, 16 de outubro, e centra-se na vida do nepalês Tenzing Norgay, que com Ed Hillary conseguiu completar a primeira escalada do Evereste em maio de 1953. A realizadora quis colocar o foco nos indígenas da região em vez de olhar para o feito pela lente ocidental e rejeitou o uso de estúdios e cenários artificiais.
“Foi muito importante filmar nas paisagens onde se passa a história”, explicou Jennifer Peedom, que trabalhou como operadora de câmara em expedições ao Evereste na sua juventude. “Queria que a audiência e os atores partilhassem essa experiência que eu tive, e o deslumbramento que se tem ao estar nestes locais”.
A produtora Liz Watts, que falou numa mesa redonda em que a Lusa participou, explicou que muitas cenas foram filmadas entre o Nepal e o Tibete. Mas filmar mesmo no Evereste era impossível, devido à altitude e aos desafios físicos e logísticos que se colocam a mais de 8.800 metros de altura.
A equipa escolheu a Nova Zelândia e rodeou-se de um grupo de xerpas – pessoas naturais do Nepal que habitam nos Himalaias – com experiência a escalar a montanha mais alta do mundo. “Estávamos seguros, mas não estávamos sempre confortáveis”, descreveu Jennifer Peedom.
O ator Willem Dafoe, que interpreta o líder da expedição coronel John Hunt, salientou o esforço físico que foi necessário para contar a história. “Nós preparávamos o nosso equipamento e éramos levados de helicóptero”, contou. “Levávamos uma sandes e algo para beber e inevitavelmente a sandes ficava congelada que nem uma pedra”.
Para Tom Hiddleston, foi uma experiência reveladora sobre o seu corpo e o que conseguiria aguentar. “Nem sequer fomos para a zona da morte”, salientou, referindo-se à área acima dos oito mil metros em que a pressão atmosférica é tão baixa e o oxigénio tão rarefeito que as células morrem mais rapidamente que o ritmo de reprodução.
“Mas o que eu notei, e me faria hesitar em subir a essa altitude, foi o frio e a secura dos dedos das mãos e dos pés”, indicou. “Se eu estivesse lá no topo, sofreria queimaduras de frio”.
Genden Phuntsok, ator tibetano que encarnou Tenzing, não teve tanta dificuldade em ambientar-se porque vem de uma zona de altitude. O que teve foi de aprender a falar o dialeto dos xerpas.
“Às vezes vamos conquistar a montanha ou conquistar a natureza e é impossível”, disse o ator, que participou na conferência remotamente. “Devemos respeitá-la”, continuou, frisando a necessidade de manter a natureza limpa, numa altura em que as crescentes expedições deixam lixo para trás.
“Não devemos pensar que isto é nosso e serve para a nossa ganância”, considerou. “Nem temos de gastar dinheiro, é um luxo gratuito”.
A expedição britânica de 1953 foi bem-sucedida após várias tentativas falhadas, com mais de uma dezena de mortos. Nem Ed Hillary nem Tenzing Norgay tinham sido escolhidos para tentar chegar ao cume, mas foram eles que conseguiram – e nunca revelaram ao mundo quem chegou primeiro. “As famílias deles pediram que os filmássemos a caminhar juntos”, disse Liz Watts.
“Tenzing” é a primeira longa-metragem de Jennifer Peedom, depois de a cineasta australiana ter realizado os documentários “Xerpa”, em 2015, e “Montanha”, em 2017, com narração de Willem Dafoe.

