O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou hoje que os Estados Unidos vão terminar, até dezembro, a ajuda militar anual a Israel, após um acordo com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
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03/11/2026
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Lusa
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou hoje que os Estados Unidos vão terminar, até dezembro, a ajuda militar anual a Israel, após um acordo com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
“Estamos a dar a Israel 4.000 milhões de dólares (cerca de 3.800 milhões de euros) por ano e chegámos a um acordo, há alguns meses, para acabar com isso”, afirmou Trump numa entrevista telefónica à estação de televisão Fox News.
O Presidente norte-americano assegurou que Netanyahu concordou com a decisão, justificando o fim da assistência financeira com a capacidade económica e militar alcançada por Israel.
“É um país muito próspero. Não precisam da ajuda”, afirmou Trump, acrescentando que Washington deixará de financiar diretamente o aliado a partir do final de 2026.
Trump garantiu, contudo, que a decisão não representa o fim da cooperação militar entre os dois países.
“Vamos ajudar Israel se precisar. Têm sido grandes aliados e nós temos sido os maiores aliados de todos”, assegurou o Presidente norte-americano.
O anúncio representa uma alteração significativa na política de assistência militar norte-americana a Israel, tradicionalmente o principal beneficiário deste tipo de apoio dos Estados Unidos.
Atualmente, a ajuda está enquadrada num memorando de entendimento bilateral, negociado durante a administração de Barack Obama, que previa uma ajuda ao longo de 10 anos, até 2028.
Uma parte substancial dos recursos tem sido utilizada por Israel para adquirir armamento e equipamento de defesa produzido por empresas norte-americanas.
A decisão anunciada por Trump antecipa, assim, o fim de um mecanismo de financiamento que deveria manter-se em vigor por mais dois anos.
O primeiro-ministro israelita já tinha defendido publicamente uma redução progressiva da dependência do seu país relativamente à assistência militar norte-americana.
Numa entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, em maio, Netanyahu afirmou que pretendia reduzir essa ajuda a zero ao longo da próxima década.
“Chegámos à maioridade”, declarou então o primeiro-ministro israelita, defendendo a passagem de um modelo de assistência financeira para uma relação de parceria estratégica.
Em julho, durante contactos em Washington, o chefe do Governo israelita voltou a apresentar a proposta de uma transição gradual, que permitiria manter a cooperação em áreas como a defesa antimíssil, o desenvolvimento de armamento e a partilha de informações.
Os Estados Unidos e Israel mantêm uma das mais estreitas relações de cooperação militar do mundo, envolvendo fornecimento de armamento, desenvolvimento conjunto de sistemas de defesa e partilha de informações estratégicas.
A relação tem sido objeto de crescente debate político nos Estados Unidos, particularmente devido às operações militares israelitas na Faixa de Gaza e à guerra com o Irão.
O anúncio foi feito no dia das eleições intercalares norte-americanas, que determinarão o controlo do Congresso durante os últimos dois anos do mandato presidencial de Trump.

