O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou ao dono da SpaceX, Elon Musk, pedindo que suspendesse as limitações à versão militar do sistema de satélites Starlink na Ucrânia, noticiou hoje o The Wall Street Journal.
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22/10/2026
por
Lusa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou ao dono da SpaceX, Elon Musk, pedindo que suspendesse as limitações à versão militar do sistema de satélites Starlink na Ucrânia, noticiou hoje o The Wall Street Journal.
Segundo o jornal, que cita responsáveis norte-americanos, Trump manifestou a Musk frustração com o limite de velocidade imposto aos equipamentos ucranianos ligados à rede — que perdiam a ligação ao ultrapassar cerca de 160 quilómetros por hora —, o que, por sua vez, prejudicava a eficácia dos drones de ataque e dos intercetores ucranianos face às ofensivas russas.
Fontes oficiais de Washington e Kiev indicaram ao jornal que o serviço passou a funcionar com maior normalidade hoje, após a conversa; contudo, alguns representantes ucranianos salientaram que o sistema ainda não funciona com total normalidade.
O telefonema aconteceu depois de o mesmo jornal ter afirmado que Musk ordenou a redução da velocidade do serviço, no meio de versões contraditórias entre a SpaceX e a Casa Branca sobre se o magnata agiu por conta própria ou a pedido do governo norte-americano.
Trump destacou hoje a importância de Musk, ter “restabelecido” as funcionalidades completas do serviço Starlink.
“Não quero entrar em detalhes”, afirmou Trump quando questionado pela imprensa, na Casa Branca, sobre o alegado telefonema feito a Musk. Trump limitou-se a dizer que a sua relação com o empresário do setor tecnológico “é muito boa”.
“A verdade é que, quer tenha sido eu a ligar, quer tenha sido outra pessoa, não faz diferença nenhuma. No final de contas, o que importa é que ele restabeleceu o serviço”, acrescentou o Presidente norte-americano.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, saudou na terça-feira o restabelecimento dos alertas precoces dos Estados Unidos destinados a detetar mísseis russos, outro problema de que as forças ucranianas se queixaram nas últimas semanas, marcadas por críticas de Trump a Kiev.
A capital da Ucrânia foi alvo de um novo ataque com mísseis na última noite noite, após as negociações entre a Rússia e os Estados Unidos na quarta-feira em São Petersburgo para pôr fim ao conflito.
Poucas horas depois das negociações, e de Trump declarar que o fim da guerra nunca esteve “tão próximo”, um ataque com mísseis contra Kiev deixou seis feridos, segundo o presidente da câmara da capital ucraniana, Vitali Klitschko.
O exército ucraniano emitiu durante a noite um alerta para mísseis balísticos provenientes do leste da Rússia.
Steve Witkoff, enviado de Trump, reuniu-se com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em São Petersburgo, na sequência de uma reunião, na véspera, em Oslo com líderes europeus e Zelensky, que apelou a uma cessação dos combates nas posições atuais como primeiro passo para as negociações.
O conselheiro diplomático do Kremlin, Iuri Ushakov, indicou, no final de uma reunião “detalhada e franca” ao longo de três horas, que Moscovo está na disposição de retomar as negociações a três com Kiev e Washington, mas não de imediato, “por volta de 10 de novembro”.
Ou seja, após as eleições intercalares nos Estados Unidos, que poderão alterar o panorama político norte-americano, e sem que aconteça, até lá, uma pausa nos combates, que prosseguem sem avanços significativos de nenhum dos lados.
Volodymyr Zelensky afirmou ser favorável a um encontro a três, “o mais rapidamente possível”. “A ordem do dia é clara: pôr fim à guerra, promover a paz e, se bem compreendi, preparar tudo para um encontro ao nível dos líderes”, afirmou.
Já em sinal contrário, Ushakov afirmou na quarta-feira que as propostas apresentadas por Kiev e pelos europeus em Oslo “não contêm grande coisa”.
A Rússia exige, nomeadamente, que o exército ucraniano se retire dos territórios que ainda controla na região de Donetsk (leste da Ucrânia), o que Kiev considera inaceitável.
Também Witkoff deu nota da distância entre as partes beligerantes, considerando na rede social X que as discussões com Putin tinham sido “construtivas e que iriam prosseguir no âmbito de conversações trilaterais”, mas reconhecendo haver ainda “muito trabalho a fazer”.
Ushakov referiu-se igualmente a uma possível reunião que está a ser preparada entre Vladimir Putin, Donald Trump e Xi Jinping na China, à margem da cimeira da APEC, em novembro, em Shenzhen, mas a Casa Branca não confirmou ainda a deslocação do Presidente norte-americano à cidade chinesa.

