A polémica entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky intensificou-se após o presidente norte-americano sugerir que a Ucrânia precisava de um novo líder e anunciar um cessar-fogo energético, algo que o presidente ucraniano considerou ser “uma novidade”. O que aconteceu? E o que foi dito?
© Jim WATSON / AFP via Getty Images
12/10/2026
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Notícias ao Minuto, Lusa
A polémica entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky adensou-se durante o fim de semana depois de o presidente norte-americano ter afirmado que a Ucrânia devia ter “um novo presidente” e anunciar um cessar-fogo energético que, segundo o presidente ucraniano, foi “uma novidade”. Afinal, o que é que se passou?
Tudo começou com a resposta do presidente ucraniano a Donald Trump acerca das possíveis eleições, dizendo que a Ucrânia poderia realizar eleições se a Rússia concordasse com um cessar-fogo total de 60 dias.
“Antes de mais nada, com todo o respeito ao presidente Trump, cabe à nossa sociedade, ao nosso povo, escolher um líder ou outro”, começou por dizer Zelensky à ABC News durante uma entrevista no domingo, um dia depois de Trump ter afirmado que a Ucrânia precisava de um novo presidente disposto a negociar o fim da guerra.
Depois, o presidente da Ucrânia confessou que já disse à equipa do presidente dos Estados Unidos que, se realmente querem que a Ucrânia realize eleições, “por favor, digam a Putin para nos conceder dois meses, 60 dias de cessar-fogo total, 60 dias, e nós realizaremos as eleições”.
Cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia?
Mais tarde, no domingo, Donald Trump recorreu à sua plataforma Truth Social para anunciar que a Ucrânia e a Rússia haviam concordado em suspender imediatamente os ataques a instalações de energia.
“Com efeito imediato, entra em vigor um CESSAR-FOGO ENERGÉTICO na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ambas as partes concordaram. Não o quebrem!”, escreveu, não adiantando mais nada sobre o assunto.
No entanto, Volodymyr Zelensky disse desconhecer tal acordo. Ainda assim, garantiu que esse cessar-fogo “é uma boa notícia para todos”, salientando que “é importante que se torne realidade” e que os ataques tinham continuada nas últimas horas.
Zelensky apontou também que se a trégua foi negociada entre Donald Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, é necessário avisá-lo.
“Infelizmente, os céus ucranianos estiveram infestados por bombas russas durante todo o dia. Houve ataques com bombas planadoras e também ataques à nossa infraestrutura energética”, começou por dizer.
O presidente ucraniano afirmou ainda que aguarda os detalhes “claros” do diálogo entre os Estados Unidos e a Rússia e disse esperar “que Putin cumpra o que o presidente Trump disse”.
Zelensky já tinha confessado que o anúncio, por parte de Trump, da suspensão imediata dos ataques a instalações de energia foi “uma novidade” para si. Contudo, garantiu que “se os russos concordarem com um cessar-fogo energético, a Ucrânia concordará”.
E o que dizem os outros países?
O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a França apoia integralmente o apelo para um trégua energética na Ucrânia, apesar de a Rússia rejeitar a proposta e intensificar os ataques contra infraestruturas ucranianas.
A França “apoia integralmente o apelo para uma trégua energética genuína, à qual a Ucrânia está disposta”, afirmou, no domingo, o presidente francês, Emmanuel Macron, após o homólogo norte-americano, Donald Trump, ter anunciado um cessar-fogo entre Kyiv e Moscovo.
Uma posição também tomada pelo Reino Unido e anunciado pelo primeiro-ministro, Andy Burnham, que sublinhou apoiar o apelo do presidente Donald Trump para uma “trégua energética duradoura sem demora”.
“A Rússia intensificou os seus ataques contra infraestruturas energéticas ucranianas durante o fim de semana. […]O Reino Unido apoia firmemente o apelo do presidente Trump a favor de uma trégua energética duradoura sem demora”, escreveu Burnham na rede social X, citado pela agência de notícias Agence France Presse.
Também o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, anunciou apoiar “firmemente” um “cessar-fogo energético” entre os dois países, durante uma conversa telefónica com o presidente norte-americano.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também saudou o cessar-fogo anunciado por Trump. No entanto, avisou que a Rússia não está a dar sinais de que o vai cumprir.
“Saudamos o cessar-fogo a ataques contra infraestruturas energéticas, se for respeitado. No entanto, ainda não vimos sinais de que a Rússia o vá respeitar”, afirmou, esta segunda-feira, Kaja Kallas em declarações aos jornalistas.
Ministros da UE reúnem-se para aprovar sanções à Rússia
Já esta segunda-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) vão reunir-se no Luxemburgo para aprovar o maior pacote de sanções de sempre contra a Rússia.
Dos vários pontos na ordem de trabalhos, no que se refere à Ucrânia, é expectável que os ministros aprovem o “maior pacote” de sempre de sanções contra a Rússia, que tinha sido anunciado pela chefe da diplomacia do bloco europeu, Kaja Kallas, em setembro.
Segundo uma fonte europeia, este pacote de sanções vai visar cerca de 1.600 indivíduos e entidades do complexo militar e industrial russo, estando prevista igualmente a aprovação de outro pacote de sanções relacionado com a realização de eleições legislativas, em setembro, nos territórios ocupados na Ucrânia.

