As autoridades ucranianas abriram uma investigação após confrontos na segunda-feira, devido a alegações de tortura de militares desertores na região de Kyiv.
© Alex Nikitenko/Global Images Ukraine via Getty Images
03/11/2026
por
Lusa
Ucrânia/Rússia
As autoridades ucranianas abriram hoje uma investigação após confrontos na segunda-feira devido a uma suposta detenção de militares desertores na região de Kyiv e a alegações de tortura.
Na noite de segunda-feira, dezenas de pessoas reuniram-se do lado de fora de um prédio em Petropavlivska Borshchahivka, nos arredores da capital ucraniana, Kyiv, após surgirem relatos de que pessoas estavam a ser retidas, contra sua vontade, e submetidas a violência.
O comício resultou em confrontos com a polícia. Vídeos circularam nas redes sociais e mostravam jovens a tentar virar um autocarro da polícia e a mandar ovos aos polícias enquanto tiros de advertência soavam no ar.
Outros vídeos mostram várias pessoas a sair do prédio e a caminharem para uma ambulância, algumas com rostos inchados e outros com ferimentos visíveis, ou visivelmente em choque.
O chefe da administração presidencial, Kyrylo Budanov, que foi ao local durante a noite, denunciou hoje eventos “inaceitáveis” que pretendiam “dividir os ucranianos”, que não poderiam ter acontecido “sem influência externa”, numa alusão à Rússia.
“Após a divulgação nas redes sociais de informações sobre uma suposta detenção ilegal de militares [numa residência, N.R.], os cidadãos reuniram-se perto da casa. O incidente degenerou em confrontos, durante os quais foram disparados tiros e veículos policiais foram danificados”, informaram os investigadores em comunicado.
Os investigadores “irão empenhar-se em estabelecer as circunstâncias e condições da estadia dos militares” naquela casa, que servia como “moradia temporária” e verificar se eles estavam realmente retidos contra a vontade, acrescentaram.
Os serviços de segurança ucranianos (SBU), por sua vez, anunciaram ter identificado “mais de 100 pessoas” que participaram nos confrontos, confirmando que o prédio em questão era “uma instalação da Guarda Nacional”.
O mediador de direitos humanos, Dmytro Loubinets, pediu para esclarecer “as missões que os militares e representantes da Guarda Nacional” estavam a realizar naquele local, e “se as exigências da lei foram cumpridas”.
Dmytro Loubinets também condenou “o ataque de civis contra militares”.
Este incidente ilustra as tensões relacionadas com a mobilização militar, muito impopular na Ucrânia.
Em julho, confrontos envolvendo cerca de 200 pessoas eclodiram em Lviv, grande cidade do oeste da Ucrânia, após o alistamento de um jovem pelos militares.

