Ucrânia: Primeiro exercício na Polónia da Força multinacional

Ucrânia: Primeiro exercício na Polónia da Força multinacional

Aliados da Ucrânia, liderados por França e Reino Unido, realizam na Polónia um exercício em grande escala para testar a capacidade de operarem juntos no terreno.

© Klaudia Radecka/NurPhoto via Getty Images


03/11/2026
por

Lusa

Reunidos na Força Multinacional para a Ucrânia (MNF-U), aliados de Kyiv, liderados por França e Reino Unido, vão realizar na Polónia um exercício em grande escala para testarem a capacidade de se mobilizarem e operarem juntos no terreno.

 

Assim, cerca de 2.800 militares de dez países, Alemanha, Bélgica, Espanha, Estónia, França, Lituânia, Países Baixos, Polónia, Reino Unido e Suécia, participarão de 9 a 22 de novembro na Polónia neste exercício chamado “Koalicja”, que significa coligação em polaco, anunciaram hoje Londres e Paris.

A Turquia, encarregada da componente marítima da coligação, que será destacada após o fim das hostilidades entre a Rússia e a Ucrânia, realizará um exercício simulando a segurança no Mar Negro, segundo o ministério francês das Forças Armadas.

Os militares – incluindo 1.100 franceses e 300 britânicos – ficarão posicionados na cidade de Nowa Deba, um importante polo de treino militar localizado no sudeste da Polónia, a cerca de cem quilómetros da fronteira ucraniana.

A Força Multinacional para a Ucrânia, criada em março de 2025, tem como objetivo mobilizar-se rapidamente assim que um cessar-fogo for assinado para ajudar o país invadido pela Rússia a dissuadir, no futuro, qualquer nova agressão russa.

Esta força também deverá contribuir para a recuperação económica da Ucrânia, garantindo especialmente o Mar Negro para as exportações agrícolas ucranianas e a reabertura do espaço aéreo.

Por enquanto, as conversações para por fim ao conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial estão paradas desde fevereiro.

“Uma paz justa e duradoura deve basear-se na capacidade da Ucrânia de defender a sua soberania, bem como em garantias de segurança confiáveis que contribuam para sua segurança a longo prazo”, explicou o general britânico Tom Bateman, comandante da MNF-U, em declarações aos jornalistas em Londres.

A Koalicja é “uma etapa chave, pois será a demonstração concreta da capacidade da MNF-U de ser projetada assim que as hostilidades terminem, estimou a partir de Paris o seu homólogo francês, o general Armel Dirou, que coliderará o exercício.

“Isso credibiliza a coligação de voluntários”, acrescentou.

Em Paris, assim como em Londres, destaca-se que a MNF-U não é uma força da NATO e que o seu hipotético futuro desdobramento, longe da linha divisória entre a Ucrânia e a Rússia, assim como a Koalicja, não é uma missão de combate, uma demonstração de força ou uma operação de manutenção da paz.

“A razão pela qual estamos realizando este trabalho agora é puramente prática”, justificou o general Bateman. “Se forem feitos progressos rumo à paz, precisamos estar prontos para agir. O planeamento, a coordenação e a preparação necessários para o desdobramento de uma força multinacional não podem começar somente após o fim das hostilidades”.

O exercício Koalicja deve, assim, permitir testar em condições reais os planos, o encaminhamento, as transmissões e a compatibilidade dos sistemas de comando de computadores fora das estruturas da Aliança Atlântica.

Paris e Londres dizem estar prontos para enfrentar possíveis ataques de infomação ou até híbridos por parte de uma Rússia pronta para acusar os ocidentais de belicismo.

Para convencer que a Koalicja não tem vocação ofensiva, apenas equipamentos leves – e nenhum blindado – são enviados para o exercício, basicamente para proteger os militares deslocados.

O exército francês vai colocar em ação uma unidade de “drones de contacto” com cerca de cinquenta aparelhos com alguns quilómetros de alcance, segundo o seu chefe do estado-maior, o general Jacques de Montgros.

Além disso, serão implantados meios de combate a drones.

“Está claro que protegeremos as nossas forças contra qualquer agressão e que os princípios de legítima defesa serão aplicados”, destacam os responsáveis ocidentais, reforçando que as regras de engajamento são de “natureza defensiva”.

No total, 24 dos 36 países membros da Coligação de Voluntários comprometeram-se a participar da componente aérea, marítima ou terrestre da MNF-U.

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