A chefe da diplomacia da União Europeia exortou hoje a comunidade internacional a combater a discriminação e a violência religiosa, alertando que quase dois terços da população mundial vivem em países onde a liberdade de religião não é respeitada.
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21/08/2026
por
Lusa
Numa declaração divulgada no Dia de Homenagem às Vítimas de Atos de Violência baseada na Religião ou Crença, Kaja Kallas defendeu que “todos os seres humanos têm direito à liberdade de pensamento, de consciência, de religião e de crença”.
“No entanto, quase dois terços da população mundial vivem em países onde se verificam graves violações e atropelos deste direito”, lamentou, referindo que “todos os dias milhões de pessoas são vítimas de intolerância, discriminação, ódio, hostilidade e violência devido à sua religião ou crenças reais ou presumidas”.
Prestando homenagem a todas essas vítimas, a Alta Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança pediu a “todos os Estados que lutem contra a discriminação e a violência com base na religião ou na crença, e que respeitem, protejam e defendam o exercício deste direito humano”.
“Tal implica igualmente não criminalizar a apostasia nem recorrer de forma abusiva às leis relativas à blasfémia”, sustentou na declaração, igualmente divulgada em árabe e mandarim.
Para Kaja Kallas, enquanto persistirem a discriminação e a violência, é responsabilidade de todos empenharem-se de “forma construtiva” em prol de um mundo “em que a liberdade, o respeito, a tolerância e a paz para pessoas de todas as religiões” se tornem a norma.
A alta representante referiu ainda que a UE e os seus Estados-membros “promovem o direito à liberdade de religião ou de crença para todos, em toda a parte” e trabalham “de forma persistente para defender este direito”.
“Na União, as nossas políticas incluem iniciativas específicas para combater o antissemitismo e o ódio antimuçulmano, que condenamos veementemente onde quer que surjam, bem como a discriminação e a violência contra cristãos e membros de outras comunidades religiosas”, afirmou na mesma declaração.
Fora da UE, Kallas frisou que o bloco “assume uma posição ativa no âmbito das Nações Unidas”, apresentando resoluções sobre o direito à liberdade de religião.
“Noutros âmbitos, financiamos, entre outros, projetos destinados a reforçar a sociedade civil e as instituições que promovem a liberdade de religião ou de crença na Ásia, a fomentar o diálogo e a paz para combater a discriminação racial no Sahel, e estamos a trabalhar com os nossos parceiros para promover a coexistência religiosa”, apontou.
O Dia Internacional de Homenagem às Vítimas de Atos de Violência baseada na Religião ou Crença é celebrado anualmente a 22 de agosto e foi proclamado em 2019 na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A ONU refere que este dia “condena comportamentos de intolerância e de terrorismo contra indivíduos que pertencem a diferentes grupos religiosos ou minorias” e serve de “chamada de atenção para as ações que ameaçam os valores e princípios contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”.
“O debate construtivo de ideias, o diálogo intercultural e inter-religioso é urgente, para dar lugar a um mundo mais tolerante”, defende a ONU.

