Centenas de judeus ultraortodoxos (haredim) confrontaram-se com a polícia na última noite, na cidade de Modi’in, a 35 quilómetros a oeste de Jerusalém, para impedir a detenção de um dos membros acusado de deserção.
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06/10/2026
por
Lusa
O incidente exigiu reforços da Polícia Militar, que, segundo a agência EFE, enfrentou momentos de tensão depois de dezenas de haredim terem invadido o edifício onde iria ocorrer a detenção do jovem que recusou a incorporação militar.
No final, a polícia decidiu retirar-se sem prender o indivíduo que pretendia evitar o serviço militar.
“Durante a operação, um grande número de manifestantes reuniu-se e agiu de forma organizada com o objetivo de interromper a atividade da Polícia Militar, obstruindo as detenções e pondo em risco a segurança dos soldados”, afirmou o Exército israelita.
Historicamente, os judeus ultraortodoxos gozavam em Israel de uma isenção do serviço militar obrigatório, a que o Supremo Tribunal pôs fim em junho de 2024.
A decisão do tribunal superior tem provocado, nos últimos dois anos, constantes manifestações dos haredim, interdições de estradas e bloqueios a operações da Polícia Militar, para impedir a detenção daqueles que evitam o serviço militar.
A comunidade ultraortodoxa israelita defende que os haredim devem continuar concentrados no estudo da Torá nas yeshivas (escolas talmúdicas) e que o lugar que desempenham na sociedade “é fora do Exército”.
No entanto, uma parte significativa da sociedade apoia o alistamento dos haredim, especialmente face à necessidade de reservistas no país após o ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023.
O debate chegou à esfera política nos últimos tempos e deve ser um dos principais fatores de mobilização de votos — tanto por parte do atual governo como da oposição — para as eleições de 27 de outubro.
Os partidos ultraortodoxos, aliados do governo de coligação liderado por Benjamin Netanyahu, pressionaram, sem sucesso, para a aprovação de uma norma que isentasse os jovens ultraortodoxos do serviço militar.
O confronto da última noite ocorreu após uma série de protestos e distúrbios realizados nos últimos meses, sobretudo por jovens haredim.
Em setembro, dezenas de ultraortodoxos já se tinham manifestado em frente à casa de um alto responsável da polícia em Jerusalém, depois de seis alegados desertores terem sido detidos no aeroporto Ben Gurion quando tentavam sair do país.
No início de agosto, membros de uma fação haredi de Jerusalém bloquearam estradas devido à detenção de outro estudante, exibindo faixas que comparavam o serviço militar à “morte espiritual”.
Atualmente, cerca de 80 mil ultraortodoxos entre os 18 e os 24 anos preenchem os requisitos para o serviço militar, mas não se alistaram.
A Procuradoria-Geral instou o governo a reforçar o cumprimento das ordens de recrutamento, incluindo a detenção dos mancebos que evitam a incorporação.

