A Vodafone Portugal contestou a retirada da Huawei em toda a sua rede de transporte WDM, alegando que nem todos os componentes têm o mesmo nível de risco, segundo o CEO Luís Lopes.
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15/10/2026
por
Lusa
Vodafone
A Vodafone Portugal contestou a retirada da Huawwei em toda a sua rede de transporte WDM porque nem todos os componentes que a compõem têm o mesmo nível de risco, disse hoje o presidente executivo (CEO), Luís Lopes.
O gestor falava num encontro com jornalistas que decorreu na sede da empresa, em Lisboa.
Sobre a nova avaliação de segurança às redes 5G, que foi realizada dentro do prazo, o gestor escusou-se a fazer comentários.
Mas relativamente a decisões anteriores, que têm a ver com a chinesa Huawei, Luís Lopes referiu que a Comissão de Avaliação de Segurança considerou que a rede de transporte – WDM – dos operadores não deveria incorporar componentes de ‘high risk vendor’ [fornecedores de alto risco], neste caso a Huawei.
“Contestámos muito” essa decisão junto das entidades envolvidas, Governo incluído, disse o CEO.
A Vodafone Portugal não tem acesso à análise detalhada da avaliação de risco.
“Contestámos nos fóruns competentes” e “ainda não tomámos qualquer decisão sobre pedido de indemnização”, prosseguiu Luís Lopes.
Em síntese, a Vodafone não concorda com as medidas de retirada total de fornecedores de alto da sua rede, considerando que a medida tem de ser proporcional e ajustada ao risco identificado.
“Nem todos os componentes da rede têm o mesmo nível de risco”, salientou.
Além disso, “não achamos que a rede de transporte devesse ter sido considerada matéria de risco de cibersegurança à semelhança do que foi decidido noutros países europeus”, salientou o CEO da Vodafone Portugal.
A Vodafone está a cumprir todas as obrigações que lhes foram impostas.
Em 2023, a Comissão de Avaliação de Segurança, no âmbito do Conselho Superior de Segurança do Ciberespaço, divulgou uma deliberação sobre o “alto risco” para a segurança das redes e de serviços 5G do uso de equipamentos de fornecedores que, entre outros critérios, sejam de fora da UE, NATO ou OCDE e que “o ordenamento jurídico do país em que está domiciliado” ou ligado “permita que o Governo exerça controlo, interferência ou pressão sobre as suas atividades a operar em países terceiros”.
A deliberação não referia nomes de empresas ou de países, mas a entidade em causa era a chinesa Huawei, que entrou com uma ação administrativa contra a deliberação sobre equipamentos 5G da Comissão de Avaliação de Segurança, com o objetivo de salvaguardar os seus direitos legais.
Entretanto, cerca de três anos depois da deliberação da Comissão de Avaliação de Segurança, a Meo entrou com uma ação em tribunal contra o Estado português para ser ressarcida da exclusão da Huawei como fornecedora de 5G, reclamando 82 milhões de euros de indemnização, que é uma estimativa do impacto da decisão.
A empresa não pede a anulação da decisão que baniu a Huawei, mas somente a compensação pelos custos decorrentes.
A substituição de equipamentos de fornecedores de risco nas redes móveis, fixas e de transporte na UE, como a Huawei, poderá custar às operadoras entre 30 a 40 mil milhões de euros, segundo o relatório da GSMA Intelligence divulgado este verão.
Um estudo feito pela consultora EY a pedido da Huawei e divulgado em setembro de 2024 referia que a exclusão da tecnológica chinesa das redes 5G em Portugal poderia custar à economia portuguesa mais de mil milhões de euros.

