Adolescentes moçambicanos levam robô de combate a incêndios a concurso

Adolescentes moçambicanos levam robô de combate a incêndios a concurso

Quatro adolescentes moçambicanos desenvolveram um robô para recolher e transportar focos de incêndio simulados, tecnologia que pretendem adaptar para combate a fogos florestais minimizando o risco humano e que levam agora a um concurso na Coreia do Sul.

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05/10/2026
por

Lusa

A equipa é composta por Kelven Melo e Elbeny Melo, ambos de 16 anos, e por Waiz Popatiya e Andilli Shanilla Cordeiro, de 15 anos, estudantes que formam a Stemmoze e que vão representar Moçambique no FIRST Global Challenge 2026, competição internacional de robótica que decorrerá de 07 a 10 de outubro, em Incheon.

 

Três dos adolescentes frequentam a 10.ª classe e Waiz está na 9.ª classe. A equipa partiu no domingo para a Coreia do Sul para participar na competição, que reúne estudantes de mais de 190 países e que este ano decorre sob o tema “Igniting Innovation” (Incendiar a Inovação), centrado na prevenção, mitigação e recuperação de incêndios florestais.

No “Igniting Innovation Robotics Challenge”, as equipas competem num ambiente simulado de prevenção, mitigação e recuperação de incêndios florestais, recorrendo à engenharia prática e à estratégia para explorar formas de reduzir o risco e o impacto dos incêndios, proteger comunidades e reforçar a resiliência ambiental.

“O desafio consiste em construir um robô capaz de capturar bolas que representam focos de incêndio”, explicou à Lusa Andilli Shanilla Cordeiro, aluna da 10.ª classe do Colégio Nhamunda.

O protótipo foi desenvolvido em cerca de quatro semanas com materiais fornecidos pela organização da competição através da empresa norte-americana REV Robotics, especializada no desenvolvimento de componentes e sistemas de robótica educacional.

O robô foi concebido para recolher bolas que representam focos de incêndio, armazená-las e transportá-las para uma área de contenção dentro do campo de competição.

A máquina foi também construída para subir uma estrutura inclinada, num percurso que começa aos 24 centímetros e atinge dois metros de altura, um dos requisitos definidos para a prova internacional.

Já a bateria do equipamento permite cerca de 30 minutos de funcionamento, por cada carga.

“Não são fogos, na verdade, mas após esse desafio acredito que podemos melhorar o nosso robô de modo que possa realmente ajudar na vida real com os incêndios. Podemos juntar um cano de água para, em vez de o ser humano ter que se expor ao fogo, correr riscos, pode-se usar o robô estando à distância”, afirmou Andilli.

O projeto começou com Waiz, que iniciou o desenvolvimento do robô, tendo posteriormente integrado Andilli, Kelven e Elbeny.

Para Andilli, o interesse pela robótica surgiu apenas este ano, após a introdução da disciplina na escola.

“Introduziram a robótica na minha escola e eu comecei a aprender. Fiquei tipo, uau, eu nunca me dei com isso antes. Na verdade, tenho amigos que programavam e outras coisas, mas eu nunca estive interessada”, contou.

Os jovens defendem que a robótica e as áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) devem ganhar mais espaço nas escolas públicas moçambicanas.

“Acredito que deve-se tomar em conta este desafio, olhar-se para esse desafio de modo a que possamos incorporar na realidade moçambicana. Também nós temos a Stemmoze, que é uma instituição que trabalha com tecnologias, mas poderíamos tornar a robótica e o STEM algo que nós temos nas nossas escolas públicas”, disse Andilli.

A equipa procura agora patrocínios para continuar a desenvolver o protótipo e apoiar futuras participações internacionais.

Os adolescentes dizem que pretendem aproveitar a competição para ganhar experiência, conhecer outros jovens e demonstrar o trabalho desenvolvido em Moçambique.

Elbeny Melo confessa que se interessa por robótica desde criança e diz que a equipa vai para a Coreia do Sul com ambição de vencer.

“Estamos aí com a mentalidade de queremos ganhar, mas também lá para ganhar experiência, socializar-se, muitas coisas”, afirmou Elbeny, acrescentando que o grupo já apresentou o projeto ao Presidente moçambicano, Daniel Chapo, que, segundo os jovens, manifestou o desejo de os ver vencer.

O FIRST Global Challenge é uma competição internacional de robótica realizada anualmente num país diferente e reúne estudantes de todo o mundo para construir e programar robôs destinados a responder a desafios relacionados com problemas globais. Em 2026, o evento terá lugar em Incheon, um dos principais centros de inovação da Coreia do Sul.

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