Júlia Belard esteve à conversa com o Notícias ao Minuto num evento da Natura e acabou por falar dos filhos, sem deixar de lado a possibilidade de vir a aumentar a família, mesmo tendo tido uma experiência marcante na última gravidez.
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05/10/2026
por
Júlia Belard
Mãe de dois rapazes, Matias e Sebastião, Júlia Belard não descarta a possibilidade de vir a aumentar a família com o marido, Francisco Sérvulo Correia.
A atriz esteve presente na celebração dos 30 anos da Natura, num evento que decorreu em Lisboa, no dia 23 de setembro, onde a marca apresentou a nova coleção.
Em conversa com o Notícias ao Minuto, Júlia Belard começou por dizer que “não é das mulheres mais consumistas que há”, e que tenta sempre ir “dando muita roupa” a pessoas que “estejam a precisar”.
Ainda no que diz respeito à roupa, a atriz contou igualmente que “aproveitou tudo do primeiro filho para o segundo”.
Falando dos meninos, a mamã confidenciou que o regresso à escola é sempre uma fase delicada, sobretudo este ano que foi a primeira vez do filho mais novo, Sebastião. E não deixou de confidenciar o desejo de ser mãe de novo, apesar de a sua última gravidez ter sido muito marcante. A mãe foi diagnosticada com um cancro terminal e “estava a morrer” enquanto a atriz gerava o segundo filho.
Durante a entrevista, falou ainda do seu percurso enquanto atriz e da presença nas redes sociais, confessando que gostava de ter a oportunidade de voltar a trabalhar no mundo da representação.
Sofro muito e é uma coisa que me causa uma certa angústia. Por isso tento também escolher escolas que sejam mais perto, que ainda aceitem uma adaptação lenta
Como está a ser a adaptação dos meninos à escola?
Pela primeira vez o meu filho mais pequenininho entrou para a escola, ainda há bocadinho fui buscá-lo porque só fica até à hora de almoço. A professora já me disse que ele entrou um bocadinho para a parte da sesta e disse que chorou muito. E de manhã ainda chorou bastante para ir. Ainda disse: “Mãe, mas eu já fui ontem”. E escorriam lágrimas.
Confesso que a mim é uma coisa que me custa mesmo muito. Custa-me mesmo! Sofro muito e é uma coisa que me causa uma certa angústia. Por isso tento também escolher escolas que sejam mais perto, que ainda aceitem uma adaptação lenta – ainda pude estar lá com ele uns diazinhos, porque só largar e ir eu não consigo.
Mesmo sendo a segunda experiência foi igualmente dura?
Sim. Achei que ia ser super diferente, mas é muito difícil na mesma. Ainda hoje de manhã estava com coração apertado, quase a chorar. Fico agoniada. Custa-me um bocado, mas sei que faz parte e que eles depois ficam bem.
Agora nem sei, ao fim deste tempo todo, como é que funcionam as oportunidades. Vejo cada vez mais miúdas novas e mais bonitas a chegar, e às vezes sinto que não há lugar, não há espaço para mim. Sabemos que em Portugal infelizmente a indústria é pequena
Tem estado muito presente nas redes sociais, mas não na televisão. Gosta deste novo rumo da sua vida ou gostava de ter outras oportunidades?
Gosto muito deste caminho e acho que sou uma sortuda por poder fazer isto, e tenho mesmo gosto. E agora que os meus filhos estão a crescer um bocadinho mais, vamos lá ver se de repente não tenho outro e volta tudo ao mesmo. Mas agora estou a sentir que estou com um bocadinho mais de disponibilidade para isto. E é uma coisa que gosto mesmo de fazer e que combina várias coisas que sempre gostei de fazer. Poder escrever o script, portanto, tem esta parte de ser argumentista para poder representar um pouco e depois também a parte da edição, que me dá muito gosto.
Agora, o que sinto é que, embora tenhamos estes eventos, é tudo muito a partir de casa. Às vezes sinto muita falta daquela ida para o estúdio, de estar lá com as minhas colegas, de estar lá com a equipa de maquilhadores. Divertíamo-nos muito. Sinto falta dessa dinâmica e do acting. Sinto que era uma maneira de canalizar um pouco as minhas emoções e de me reorganizar. E sinto que não tenho tanta facilidade em fazer isso. Tenho saudades, claro.
Mas a dada altura deixou de apostar na carreira de atriz ou foi pela falta de oportunidades?
Nos primeiros anos foi uma decisão minha, porque decidi ser mãe a tempo inteiro. Hoje em dia vivo um bocadinho numa dualidade. Estou muito agradecida e adoro a minha vida, mas muitas vezes sinto saudades e até do teatro, porque acho que é uma coisa que está muito em mim, que me corre muito no sangue e que tenho mesmo vontade e saudades de fazer. Se surgisse uma oportunidade ficava muito, muito contente. Não ando a correr atrás, não, mas…
Agora há pouco tempo mudei da agência, estou a direcionar-me para o departamento de acting, ou seja, estou a começar a mostrar-me disponível. Agora nem sei, ao fim deste tempo todo, como é que funcionam as oportunidades. Vejo cada vez mais miúdas novas e mais bonitas a chegar, e às vezes sinto que não há lugar, não há espaço para mim. Sabemos que em Portugal infelizmente a indústria é pequena, os atores são sempre os mesmos, mas também já fiz parte desse leque de atores. E adorava se surgisse uma oportunidade.
Qual o projeto que guarda com maior carinho?
Vacilo entre dois. Os “Morangos com Açúcar”, porque foram o meu primeiro projeto e foi muito impactante, por isso foi muito especial. Éramos todos jovens, adolescentes e de repente estarmos a viver aquilo… É uma coisa muito marcante e é mesmo… uau! E fazer viagens. Aquilo foi mesmo muito espetacular.
Mas depois a seguir faço o “Deixa que Te Leve”, que foi uma novela mesmo muito gira, eu fazia a Graça, que era uma camareira, era em Arcos de Valdevez, fazíamos muitas viagens. Tínhamos um grupo de atores super giro, divertíamo-nos muito e tenho muito boas recordações dessa novela.
Adoro estar grávida, mas é uma fase delicada para mim. A última gravidez foi mesmo uma fase muito difícil da minha vida. A minha mãe estava a morrer
Há pouco falou em “vamos lá ver se não vem um terceiro filho”. Portanto, aumentar a família também não está fora dos planos?
Não está fora dos planos, não. É uma dualidade. Sinto que estou muito bem agora. Voltar ao zero sei que é estragar tudo um bocadinho outra vez. Por outro lado, já vou fazer 38, não tenho muito mais tempo para ter filhos e também me custa um dia olhar para trás e pensar, “ah, não tive”.
Não sou muito de ficar à espera das coisas, sigo os meus impulsos. Mas também não sou impulsiva no sentido de fazer só porque sim
Sente essa pressão de as mulheres terem uma “validade”?
Sinto e acho muito injusto. Os homens, com a idade, podem sempre ter filhos, envelhecem e continuam charmosos. Se for preciso namoram meninas mais novas…
Adotar uma criança também é uma coisa que gostaria, mas o meu marido não quer. Adoro estar grávida, mas é uma fase delicada para mim. A última gravidez foi mesmo uma fase muito difícil da minha vida. A minha mãe estava a morrer. Por isso também tenho um bocadinho de fragilidade associada à gravidez – leva-me a um lugar de vulnerabilidade. Fico neste impasse mas gosto de acreditar que, de alguma maneira, o universo vai-me guiando e eu vou saber o que é certo, na altura certa.
Prefere ficar à espera daquilo que o universo tem para lhe dar?
Não sou muito de ficar à espera das coisas, sigo os meus impulsos. Mas também não sou impulsiva no sentido de fazer só porque sim. Tenho de ter a minha cabeça bem organizada. Sigo um pouco o meu instinto, que provavelmente muitas vezes está errado.
E que planos ou projetos tem para os próximos tempos?
Tenho muitas campanhas a acontecer com muitas marcas, muitos eventos também e tenho sempre aqui de lado esta vontade de ter algo meu, de criar uma marca, qualquer coisa. Mas nada pensado. É uma ideia para depois.

