Apesar de emprego recorde, produtividade está abaixo de níveis de 2000

Apesar de emprego recorde, produtividade está abaixo de níveis de 2000

Portugal está próximo do pleno emprego, mas a produtividade da economia continua sem convergir com a União Europeia, estando abaixo dos níveis do ano 2000, conclui um estudo elaborado pela Associação Business Roundtable Portugal.

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22/09/2026
por

Lusa

Segundo o Snapshot “Comparar para Crescer”, a produtividade do trabalho por hora trabalhada, medida em paridade do poder de compra, correspondeu a apenas 66,9% da média da UE, abaixo da produtividade registada em 2000 (67,6%).

 

“Em termos relativos, a posição de Portugal no ranking da produtividade por hora trabalhada deteriorou-se marcadamente desde 2000, caindo da 17.ª posição para a 24.ª posição entre os 27 estados-membros da União Europeia”, lê-se no relatório.

Isto apesar da economia portuguesa ter registado números recorde no emprego, com mais de cinco milhões de pessoas empregadas, representando uma taxa de emprego de 79,6%, próxima do pleno emprego e acima da média da União Europeia (76,1%).

Neste estudo, são identificados quatro principais bloqueios à produtividade: “sub-investimento crónico público e privado, setores de reduzido valor acrescentado e de baixos salários dominam a criação de emprego, a predominância de empresas com pouca escala no tecido empresarial e elevados custos de contexto”.

Para ultrapassar estes constrangimentos, a associação recomenda soluções que passam por aumentar o investimento produtivo “através de um enquadramento regulatório que torne os processos de licenciamento mais estáveis e previsíveis”, bem como “promover o crescimento das empresas através da remoção de obstáculos e melhorar as condições para a sua capitalização”.

A BRP defende ainda a necessidade de “valorizar o fator trabalho”, ao apostar na “promoção de empregos qualificados, em setores tecnológicos e aliviando o tratamento fiscal da progressão salarial”.

De acordo com os cálculos desta análise, entre 2011 e 2024, analisando 12 setores de atividade económica, foram criados mais de 680 mil postos de trabalho, com um valor acrescentado bruto (VAB) anual médio de 40,4 mil euros.

“Mais de 60% do emprego criado tem um VAB médio de apenas 31,7 mil euros, o que claramente penaliza o aumento da produtividade”, conclui.

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