Assembleias de voto para eleições legislativas abrem na Rússia

Assembleias de voto para eleições legislativas abrem na Rússia

As assembleias de voto para as eleições legislativas russas abriram nas regiões do Extremo Oriente, dando início a três dias de votação, com a oposição limitada pelo regime de Vladimir Putin, cujo partido é o vencedor esperado, em plena guerra na Ucrânia.

© Alexander NEMENOV / AFP via Getty Images


17/09/2026
por

Lusa

As agências russas Ria Novosti e TASS informaram que as primeiras secções de voto abriram às 8h00 locais de sexta-feira (20h00 GMT de quinta-feira) na península de Kamchatka e no distrito autónomo de Chukotka.

 

A votação decorre até domingo, e metade dos 450 deputados da Duma (o parlamento russo) será eleita através de listas partidárias nacionais, enquanto os restantes 225 resultarão de círculos uninominais, nos quais vence o candidato mais votado.

O Rússia Unida, partido de Putin, deverá conservar a maioria na Duma (Partido Comunista, Partido Liberal-Democrático, Rússia Justa e Novo Povo) têm apoiado, no essencial, as principais decisões do poder e a guerra na Ucrânia.

Nas legislativas de 2021, o Rússia Unida conseguiu 49,8% dos votos e controla atualmente 310 dos 450 lugares da Duma, acima dos 300 necessários para manter uma maioria de dois terços que lhe permite aprovar alterações constitucionais sem depender de outros partidos.

A dimensão da vitória do Rússia Unida será, por isso, um dos principais indicadores políticos do escrutínio, mais do que o vencedor esperado.

Uma sondagem do instituto estatal VTsIOM, realizada no final de agosto, atribuía 37% ao partido presidencial e 11,6% aos comunistas.

A eleição é a primeira para a Duma desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, e ocorre num contexto de crescente impacto interno da guerra, entre ataques ucranianos com drones em território russo, escassez de combustíveis, inflação, taxas de juro elevadas e falta de mão de obra.

O próprio discurso eleitoral do Rússia Unida está ligado ao conflito e Putin assumiu um papel destacado na campanha, que associa o voto à unidade nacional e à vitória militar.

A principal exceção ao consenso em torno do conflito é o liberal Yabloko, única formação política legal na Rússia que defende abertamente o fim da guerra e negociações de paz.

O Supremo Tribunal russo excluiu, no entanto, a lista nacional de candidatos do Yabloko das eleições, depois de uma ação apresentada pelo partido nacionalista Rodina, deixando apenas alguns dos seus candidatos a disputar círculos uninominais.

Vários desses candidatos foram entretanto afastados, detidos ou sujeitos a processos relacionados com acusações de desacreditar as Forças Armadas ou divulgar símbolos considerados extremistas pelas autoridades.

A repressão atingiu igualmente outras figuras da oposição, algumas das quais foram impedidas de concorrer depois de classificadas como sendo “agentes estrangeiros” e o principal organismo independente russo de fiscalização eleitoral, Golos, encerrou em 2025 após anos de pressão das autoridades.

Apesar dessas restrições, alguns candidatos do Yabloko continuaram a fazer campanha. Sondagens do centro independente Levada indicam que mais de 60% dos russos preferem negociações para pôr fim à guerra.

A credibilidade do processo eleitoral é também contestada devido ao voto eletrónico remoto, que estará disponível em mais de 30 regiões, além de Moscovo, entre sexta-feira e domingo.

O Yabloko, setores comunistas e opositores no exílio apelaram aos eleitores para votarem apenas no domingo e através de boletim em papel, alegando que o sistema eletrónico não permite uma fiscalização independente adequada.

A Rússia não convidou a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para acompanhar as eleições, decisão que a organização considerou contrária aos compromissos assumidos por Moscovo e parte de um padrão de afastamento dos princípios de transparência, responsabilização democrática e Estado de Direito.

Outra fonte de contestação é a realização da votação na Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e nos territórios ocupados das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson, cuja incorporação na Federação Russa não é reconhecida internacionalmente.

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Márcia Guímaro Rodrigues | 20:17 – 16/09/2026

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