O ataque deste sábado ao aeroporto de Riade acontece depois de a Arábia Saudita ter dito que ia intensificar
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11/10/2026
por
Notícias ao Minuto, Lusa
Um ataque contra o aeroporto internacional de Riade, capital da Arábia Saudita, este sábado, fez, pelo menos, 12 mortos e 309 feridos.
O ataque foi atribuído aos Huthis, grupo aliado do Irão, embora estes ainda não se tenham pronunciado.
A coligação militar liderada pela Arábia Saudita, em apoio ao governo internacionalmente reconhecido do Iémen, acusou os combatentes huthis pró-iranianos, denunciando “um crime de guerra” ao qual responderá “com firmeza”.
Riade anuncia operação contra huthis
O ataque aconteceu pouco depois de a coligação liderada pela Arábia Saudita ter anunciado que estava a conduzir uma “operação em grande escala” contra os huthis, tendo um meio de comunicação afiliado a estes combatentes pró-iranianos noticiado ataques no noroeste do Iémen.
“Estamos a realizar operações em grande escala que visam os efetivos e as capacidades” dos huthis, anunciou na rede social X o porta-voz da coligação, Turki al-Maliki.
A mesma fonte especificou que “136 alvos militares” houthis tinham sido destruídos.
A coligação “está empenhada em desmantelar e destruir a rede de mísseis balísticos” dos huthis e “presta apoio aéreo 24 horas por dia às forças armadas do Iémen”, acrescentou.
Aeroporto de Riade atingido por míssil dos Huthis
Na tarde de sábado, o aeroporto de Riade foi atingido por um míssil dos rebeldes Huthis, disse fonte diplomática à agência France Presse (AFP).
“Os Huthis estão a atacar alvos civis. O aeroporto de Riade é um alvo civil”, afirmou a fonte diplomática à AFP, especificando que um míssil atingiu as instalações por volta das 15h00 locais (13h00 em Lisboa).
Viria a confirmar-se que pelo menos 12 pessoas morreram e 309 ficaram feridas
As operações foram temporariamente suspensas até que os danos sejam avaliados e a segurança das instalações esteja verificada, acrescentou a entidade.
Trump admite unir-se à ofensiva saudita contra os Huthis
Na sequência do ataque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu juntar-se à coligação liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes Huthis, aliados do Irão no Iémen, referindo que espera tomar uma decisão “muito rapidamente”.
“É possível. Vamos analisar a situação. Acabámos de saber deste recente ataque, por isso tomaremos uma decisão. Estamos a agir muito rapidamente”, declarou Trump quando foi questionado pelos jornalistas na Casa Branca.
Vozes internacionais condenam ataque
O ataque já foi condenado por várias entidades mundiais.
O enviado especial da ONU para o Iémen, Hans Grundberg, condenou o ataque e apelou ao grupo para que ponha fim a estes ataques. “Isto vem somar-se aos ataques perpetrados no início desta semana contra os aeroportos de Riade e Abha, que também causaram mortos e feridos entre a população civil. Estes ataques representam uma grave escalada”, lamentou Grundberg num comunicado.
O primeiro-ministro paquistanês, Shebaz Sharif, também se pronunciou reforçando o o compromisso do Paquistão com a soberania saudita e condenou os ataques como inaceitáveis. “Os ataques que visam civis e infraestruturas essenciais são totalmente inaceitáveis e constituem uma grave ameaça à paz e à estabilidade regionais”, afirmou Sharif numa mensagem publicada na rede social X.
História do conflito
O ataque de sábado ocorre após significativos avanços militares dos Huthis no oeste do Iémen, permitindo o controlo de vastas áreas do Mar Vermelho e do estreito de Bab el-Mandeb.
Esta passagem estratégica de acesso ao Canal do Suez tem servido de alternativa ao estreito de Ormuz, que se encontra sob bloqueio do Irão desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, contra a República Islâmica.
Após anos de relativa calma na guerra civil no Iémen, a frágil trégua acordada em 2022 entrou em colapso em julho, quando os Huthis desafiaram o controlo de Riade sobre o espaço aéreo iemenita, permitindo a aterragem de um avião com representantes iranianos em Sanaa.
Os Huthis integram o chamado eixo da resistência, formado por grupos políticos e armados apoiados pelo Irão, ao lado do Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano e milícias xiitas no Iraque.
Entre 2023 e 2025, atacaram navios comerciais no Golfo de Aden e Mar Vermelho, como forma de apoio ao Hamas na guerra com Israel na Faixa de Gaza.

