Autoridades levaram 83 dias a comunicar fim de proteção a Rui Pinto

Autoridades levaram 83 dias a comunicar fim de proteção a Rui Pinto

As autoridades portuguesas levaram 83 dias a comunicar que Rui Pinto ficaria sem proteção policial. O pirata informático foi informado 10 dias antes do prazo, que termina a 10 de outubro.

© THOMAS SAMSON/AFP via Getty Images


07/10/2026
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Notícias ao Minuto, Lusa

As autoridades portuguesas levaram 83 dias – quase três meses – a comunicar ao hacker por detrás do Football Leaks que ficaria sem proteção policial. Rui Pinto apenas foi informado 10 dias antes do prazo, que termina a 10 de outubro.

 

A notícia foi avançada pelo Público, que assinalou, esta quarta-feira, que a Comissão de Programas Especiais de Segurança (CPES) tomou a decisão durante reuniões levadas a cabo nos dias 8 e 9 de julho. Contudo, Rui Pinto só foi informado 83 dias depois, a 30 de setembro.

No sábado, o The Guardian deu conta de que o português ter-se-á mostrado disponível para ajudar as autoridades britânicas no processo judicial relativo à deteção de irregularidades financeiras cometidas pelo Manchester City na Liga Inglesa, em troca de proteção policial.

No mesmo dia, a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, asseverou que está a analisar a decisão, prometendo uma resposta até ao dia 10.

“Estou a receber os vários pedidos. Estão a chegar agora ao meu gabinete. Estamos a analisar com todo o cuidado. Se tiver havido alguma irregularidade, ou se tiver havido algum procedimento que não tivesse sido mais correto, naturalmente que será ponderado”, disse.

O Manchester City foi considerado culpado de mais de 100 acusações por uma comissão independente, que descobriu contratos que visavam aumentar artificialmente as receitas do clube em 900 milhões de libras (cerca de 1.058.580.000 euros). Na sexta-feira, o clube anunciou que recorrerá da decisão, mas a eventual cooperação do hacker poderá levar as autoridades britânicas a alargar a investigação.

Se Rui Pinto deixar efetivamente de ser protegido pelo Estado português, ficará livre para cooperar com as autoridades de outros países a partir de 10 de outubro. O hacker tem ajudado esporadicamente as autoridades francesas, alemãs e belgas, podendo vir a adicionar a polícia britânica à lista.

De qualquer modo, Rui Pinto lançou uma campanha de angariação de fundos para se mudar para “um local não divulgado“, como consequência da decisão das autoridades, que foi fundamentada “na falta de compromisso da testemunha no cumprimento do programa em que se encontrava inserido e no relatório de reavaliação elaborado pela PSP, no qual se conclui por um nível baixo de risco”.

Os advogados do denunciante revelaram que este foi notificado, na passada quarta-feira, de que o Programa Especial de Segurança de que beneficia desde agosto de 2020 terminará no próximo dia 10 de outubro.

“Dentro de poucos dias, sem ter sido previamente ouvido, como a lei exige, perderá a residência protegida e confidencial que lhe foi atribuída e será obrigado a encontrar, com urgência, uma nova habitação, sem qualquer garantia de que a proteção policial se mantenha. A sua situação é agora crítica. As ameaças de que é alvo não são meramente teóricas: em abril passado, foi agredido em Lisboa“, adiantaram.

No entanto, os advogados salientaram que Rui Pinto cooperou com a justiça portuguesa, e foi precisamente essa cooperação que justificou a sua integração num programa de proteção.

“As suas revelações, utilizadas por numerosas autoridades judiciais, fiscais e desportivas em toda a Europa, a começar por França, contribuíram para reforçar a transparência e a integridade no futebol. Os Estados que beneficiaram da sua atuação não podem simplesmente virar as costas à pessoa que assumiu os riscos necessários para trazer estes factos à luz do dia”, acrescentaram.

Rui Pinto beneficiava do estatuto de testemunha protegida há seis anos, quando saiu de prisão preventiva e aceitou colaborar com as autoridades, estando, entre os benefícios perdidos, a casa onde vive sob proteção policial, o fornecimento de documentos com identificação falsa, transporte gratuito e subsídio de subsistência.

O hacker foi condenado no caso Football Leaks, em setembro de 2023, pelo Juízo Central Criminal de Lisboa, a quatro anos de prisão com pena suspensa, por crimes de extorsão na forma tentada, violação de correspondência agravado e acesso ilegítimo. Em novembro de 2023, foi também condenado a seis meses de prisão em França, igualmente com pena suspensa, por aceder ilegalmente a emails do Paris Saint-Germain. Contudo, este ano, foi absolvido de 241 crimes, num segundo processo relacionado com o caso Football Leaks.

Rui Pinto poderá ajudar autoridades britânicas em troca de proteção

O hacker Rui Pinto ter-se-á mostrado disponível para ajudar as autoridades britânicas no processo judicial contra o Manchester City, em troca de proteção policial. Em causa está a decisão de encerramento do Programa Especial de Segurança de que beneficiava como testemunha por parte de Portugal.

Notícias ao Minuto com Lusa | 17:32 – 03/10/2026

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