Baixa de Coimbra: Mudanças causam quebra de clientes no mercado municipal

Baixa de Coimbra: Mudanças causam quebra de clientes no mercado municipal

Os comerciantes do Mercado Municipal de Coimbra queixam-se de uma quebra de clientes face às mudanças de circulação e de transportes públicos na Baixa, já na rua da Sofia há quem fale de perda dos fregueses mais velhos.

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15/10/2026
por

Lusa

Os comerciantes do Mercado Municipal de Coimbra queixam-se de uma quebra de clientes face às mudanças de circulação e de transportes públicos na Baixa, já na rua da Sofia há quem fale de perda dos fregueses mais velhos.

 

Cerca de um mês depois da entrada em circulação do ‘metrobus’ até à Praça da República e consequentes mudanças na circulação automóvel na Baixa da cidade e em mais de 20 linhas dos autocarros, os comerciantes do Mercado Municipal D. Pedro V fazem um balanço negativo.

“Nota-se uma quebra”, conta à agência Lusa Dulce Espírito Santo, há 42 anos a trabalhar no mercado, referindo que, apesar de alguns clientes novos, foram muitos mais aqueles que se perderam com as mudanças ocorridas a 10 de setembro.

Naquela banca que vende pão, biscoitos e outros produtos, chegam regularmente queixas de fregueses que sentem muito mais dificuldades para chegar ao mercado, sobretudo se usarem o autocarro.

“Não se ouviu ninguém. Quando vieram cá falar connosco, já estava tudo decidido”, afirmou.

Ali bem perto, Joaquina Barbeiro, que vende queijos e requeijões, atira, sem reservas: “Estragaram tudo”.

“Até me apetece dizer asneiras”, afirma à Lusa a mulher de 89 anos, que acredita ter perdido mais de metade dos seus clientes, sobretudo os mais velhos, “por causa dos autocarros”.

Clarinda Fonseca, há 35 anos a vender verduras no mercado, nota que “há umas caras novas” no mercado, “mas há muita cara velha que, com a mudança dos autocarros, deixou de aparecer”.

Durante a semana, constata, o impacto é maior, sentido sobretudo pelos clientes mais velhos e pelas empregadas domésticas que passavam por ali para se aviarem para a sua casa e para a “das suas patroas”.

“A maioria desapareceu. Deixaram de ter horários e, as que vêm, vêm à pressa, ligam-me de véspera para eu ter tudo pronto”, disse Clarinda Fonseca, considerando que as mudanças nos autocarros tiveram um impacto “negativo, negativo, negativo, negativo”.

Na zona do peixe, o relato é, em tudo, semelhante.

Uma das comerciantes aponta para a sua banca de peixe “tão bonita”, mas sem gente para comprar.

“Não era fácil, mas agora está mais difícil”, lamenta, apontando para o caso de pessoas que, deslocando-se para norte do concelho, acabam a ir a pé do mercado até ao Arnado para apanhar o autocarro.

Outro operador de loja que não quis ser identificado afirma à Lusa que, “durante a semana, o negócio morreu completamente”.

“As pessoas não vêm a pé do Arnado até cá”, disse, referindo ainda que o transporte das compras para casa não serve quem vende carne ou peixe, que não é assegurado “transporte com arca frigorífica”.

Deolice Tomás, a trabalhar numa banca de fruta, é das poucas comerciantes a não notar diferença, considerando que tem sido “mais ou menos a mesma coisa”.

Já na rua da Sofia, que passou a funcionar num único sentido e reservado a transportes públicos e acessos locais, sente-se pouco ou nenhum impacto, com exceção de menos movimento dos clientes mais velhos que usavam o autocarro.

“Não perdi nem ganhei”, conta à agência Lusa Aguinalda Amaro, proprietária do café Sofia.

Depois da azáfama da primeira semana, com muitos curiosos – “houve pessoas que descobriram a rua da Sofia a 10 de setembro” -, o ritmo voltou ao normal, constata, reconhecendo, no entanto, menos clientes mais velhos a passar por ali.

Elisabete Vilhena, proprietária de uma loja de antiguidades na rua, corrobora: “Faltam os clientes que vinham de autocarro”.

A funcionária de uma loja que não quis ser identificada também repara na ausência de clientes regulares “da faixa etária dos 70 anos para cima”.

“Eles vinham e agora não estão a vir. Tinham as suas rotinas e as suas rotas e tudo foi alterado com pouca preparação e informação”, disse.

Já para Miguel Braga, comerciante na mesma rua, o movimento “está pior”.

“Fecharam-nos a estação de comboios e agora isto. Esta cidade tem pessoas que decidem sem vir para o terreno”, lamenta Augusta Martins, florista há 40 anos na rua da Sofia.

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