O Banco Central Europeu deverá manter as taxas diretoras na quinta-feira, segundo a maioria dos analistas, que antecipam um aumento em dezembro após novas previsões de crescimento e inflação.
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27/10/2026
por
Lusa
O Banco Central Europeu (BCE) deverá manter as taxas diretoras na quinta-feira, segundo a maioria dos analistas, que continua a antecipar um aumento em dezembro, depois de conhecidas novas previsões de crescimento e inflação.
As taxas de juro diretoras deverão permanecer inalteradas, segundo as expectativas, com a taxa de depósito a permanecer em 2,5%, depois de dois aumentos efetuados neste ano. O choque energético relacionado com o conflito no Médio Oriente continua a ocupar as mentes, mas os poucos dados económicos publicados desde setembro não parecem ser suficientes para modificar o rumo do BCE.
Neste contexto, a atenção deve deslocar-se para França, país que se tornou o elo mais fraco da zona euro, mas sem provocar uma resposta monetária imediata, segundo os analistas.
Num ambiente de polarização da sociedade francesa e de dificuldades em implementar reformas para a recuperação das finanças públicas, o rendimento da dívida francesa a dez anos ultrapassou na semana passada a barreira de 5%, pela primeira vez desde 2002.
E o prémio de risco de França, o diferencial dos juros a 10 anos em relação aos da Alemanha com o mesmo prazo, por sua vez, ultrapassou 170 pontos base, um máximo desde o outono de 2011.
Os investidores estão preocupados com a dívida e défice francês, entre os mais altos da Europa, com o debate acalorado em torno do orçamento de 2027 e com as incertezas associada às eleições presidenciais.
Um contexto político que se tornou ainda mais tenso nos últimos dias com o forte descontentamento social e manifestações marcadas por violência e roubos.
Mas, ao contrário das expectativas gerais, a Moody’s absteve-se na sexta-feira de qualquer ação de classificação sobre a dívida francesa, mantendo a avaliação em Aa3 com perspetiva negativa.
A subida das taxas de empréstimo francesas constitui um risco potencial para a zona euro se se estender a outros países, mas uma intervenção do BCE continua improvável neste momento.
Os mercados questionam-se sobre quando Frankfurt poderia ativar o Instrumento de Proteção da Transmissão (TPI), criado em 2022 mas nunca utilizado, que permite em teoria compras massivas de obrigações do Estado para conter as tensões nos mercados.
“Os meios para conter a subida das taxas dos juros da dívida francesa devem ser encontrados primeiro em França”, afirmou recentemente Christine Lagarde.
A decisão do BCE ocorrerá depois da reunião da Reserva Federal dos EUA (Fed), que se espera que também mantenha as taxas, depois do aumento de setembro.
A inflação homóloga na zona euro atingiu 3,8% em setembro, o nível mais elevado em três anos, mas a inflação excluindo os preços de energia permaneceu praticamente inalterada, sinal de que o aumento dos preços dos combustíveis até agora não teve quase qualquer repercussão secundária.
“O BCE não precisa de se precipitar. Começou a apertar a política monetária mais cedo neste ciclo, ainda existem poucos sinais de efeitos secundários da subida dos preços da energia e a forte subida das taxas de juro das obrigações já está a restringir as condições financeiras. Isto dá ao BCE margem para uma pausa em outubro, sem alterar o rumo da política monetária”, afirma Michael Krautzberger, diretor de Investimento Global (CIO) de Mercados Públicos, Allianz Global Investors (AllianzGI).
O responsável da AllianzGI considera que “outubro é de pausa, não de mudança de rumo” e adianta que “o BCE pode dar-se ao luxo de ser paciente, mas ainda não pode declarar vitória sobre a inflação”.
A próxima reunião do BCE realiza-se em 16 e 17 de dezembro em Frankfurt.

