Bispos alertam para crise humanitária e empobrecimento na Venezuela

Bispos alertam para crise humanitária e empobrecimento na Venezuela

A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) alertou para o empobrecimento generalizado na Venezuela e apelou à realização urgente de eleições livres e transparentes como caminho para superar a grave crise política e social.

© MARTIN BERNETTI / AFP via Getty Images


23/10/2026
por

Lusa

A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) alertou hoje para o “empobrecimento generalizado” na Venezuela e apelou à realização urgente de eleições livres e transparentes como caminho para superar a grave crise política e social.

 

“Comprovamos que continua a agravar-se o clima político do país, marcado pela polarização, falta de institucionalidade e a restrição de garantias democráticas […]. O país requer a realização de eleições livres e transparentes, com um Conselho Nacional Eleitoral imparcial e um Supremo Tribunal de Justiça independente”, alertam os bispos na exortação pastoral “Encontro, Escuta e Comunhão”, divulgada ao finalizar da CXXVI Assembleia Ordinária Plenária.

No documento, a Igreja Católica traça um diagnóstico crítico da realidade venezuelana, sublinhando que a população sofre o impacto de uma “crise humanitária” marcada pela perda do poder de compra, destruição das pensões e falhas em serviços essenciais como a eletricidade.

“Reafirmamos que a Igreja não permanece alheia à dor do seu povo, […] contemplamos com preocupação o empobrecimento generalizado, a violação dos direitos humanos e o sofrimento dos venezuelanos, tanto dentro como fora do país, devido à violência, à lentidão processual com presos políticos […] assim como ao abandono institucional”, explica a CEV, exortando a “colocar a dignidade humana acima de qualquer conjuntura”.

A CEV aponta que a educação atravessa uma “trágica e profunda crise estrutural”, com salários paupérrimos dos docentes, escolas precárias e alta deserção. Na saúde, denuncia a “escassez persistente de insumos” e salários insuficientes do pessoal médico, lembrando que a caridade eclesial “não substitui a obrigação fundamental do Estado”.

Economicamente, a CEV nota que o povo não tem salários dignos, mas sim “uma compensação salarial através de bónus, a pulverização das pensões, a distorção causada pelo uso de múltiplas moedas […] e a informalidade laboral”.

“Tudo isto gerou uma profunda desigualdade onde a maioria não cobre a cabaz básico. A esta situação soma-se o gravíssimo problema do sistema elétrico, que afeta profundamente a qualidade de vida do venezuelano. Olhamos com preocupação que, apesar da ´’tutelagem económica’ [dos EUA], as receitas da produção petrolífera não repercutiram no bem comum do povo venezuelano”, sublinham.

Apesar do cenário, a CEV diz encontrar “sinais de esperança”, destacando a libertação de presos políticos — que “deve continuar para que ninguém esteja detido por pensar diferente” —, uma maior liberdade de expressão para a imprensa, a diminuição de operações stop extorsivas e a recuperação petrolífera.

Como linhas de ação, os bispos propõem o fortalecimento das Vigarias de Direitos Humanos, a criação de um “acordo nacional baseado na verdade, perdão, justiça e reconciliação” e a revogação das leis que restringem a atuação das ONG.

“Convocamos todos os venezuelanos a juntarem-se num grande plano de reconstrução nacional: um caminho integrador, democrático e ético que nos encaminhe para a paz duradoura”, conclui o documento.

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