O Governo de Cabo Verde quer que toda a população do país tenha acesso a eletricidade até 2028, anunciou hoje o ministro da Coordenação de Projetos Especiais e Acesso a Fundos. O país tem uma cobertura de 97% e espera completar os 3% que faltam.
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27/10/2026
por
Lusa
O Governo de Cabo Verde quer que toda a população do país tenha acesso a eletricidade até 2028, anunciou hoje o ministro da Coordenação de Projetos Especiais e Acesso a Fundos.
“Queremos alcançar o acesso universal à eletricidade até 2028, ligando os agregados familiares ainda não servidos e regularizando ligações clandestinas”, referiu José Carlos Moniz num painel dedicado à energia no 2.º Fórum de Investimento na África Lusófona, na ilha do Sal.
Ou seja, o país tem uma cobertura de 97% e espera, entretanto, completar os 3% que faltam.
A meta está definida no Compacto Nacional, no contexto da Missão 300 (M 300) que envolve parcerias estruturadas pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e pela Corporação Financeira Internacional (IFC) para expandir o acesso à eletricidade no continente africano.
Com apoio das duas instituições financeiras, 35 países já definiram os seus compactos com uma estratégia para expandir as redes elétricas, com base em reformas de políticas públicas e mobilizando financiamento público, privado e de instituições de apoio ao desenvolvimento.
Cabo Verde prevê alcançar 70% de energias renováveis até 2031 e 100% até 2040, estimando serem necessários 520 milhões de dólares de investimento (até 2031), incluindo 295 milhões de capital privado.
A Guiné-Bissau apresentou também o seu compacto, numa altura em que a eletricidade chega a 40% da população e em que há ainda serviços básicos de saúde e educação sem energia.
O documento hoje apresentado aponta para o acesso universal em 2030, caso se concretize o cenário ideal que requer 700 milhões de dólares de investimentos, dos quais 280 milhões de capital privado.
Os compactos nacionais ajudam investidores a perceber os objetivos de cada país e a trabalhar “com base nessa ambição”, disse à Lusa Pedro Coutinho, fundador e diretor-executivo da Source Energy dedicada a projetos de energias renováveis.
A empresa está a estudar os mercados de Cabo Verde e Guiné-Bissau e considera importante a assistência técnica da IFC e BAD porque permite “participar em qualquer coisa que já foi pensada, que já foi desenvolvida. Ajuda muito a minimizar o tempo de desenvolvimento dos projetos”.
Para países em desenvolvimento, “não ser dependente dos países petrolíferos é muito importante”, referiu.
Recursos naturais como sol ou vento não precisam de ser transportados, não estão sujeitos ao aumento de preço do petróleo ou a corredores logísticos, e, com os desenvolvimentos tecnológicos, “podem ser compensados com baterias”, acrescentou Pedro Coutinho.
“Acho que a independência” em relação a cadeias logísticas e aos produtores petrolíferos “é uma parte relevante para o futuro destes países”, defendeu.
O Fórum de Investimento da África Lusófona que arrancou na segunda-feira e termina hoje, na ilha do Sal, é promovido pela IFC, membro do Grupo Banco Mundial dedicado ao setor privado.
Segundo números atualizados da IFC, nos últimos cinco anos a instituição mobilizou cerca de 1,2 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros) em 10 projetos nos países africanos de língua portuguesa.

