O presidente da Câmara de Cascais, Nuno Piteira Lopes, admite a possibilidade de colocar portagens na Avenida Marginal, para financiar as obras e a manutenção de que a estrada precisa.
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08/10/2026
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O presidente da Câmara de Cascais admite a possibilidade de colocar portagens na Avenida Marginal, para financiar as obras e a manutenção de que a estrada precisa.
Em declarações à CNN Portugal, Nuno Piteira Lopes explicou que a ideia surgiu depois de o executivo camarário ter aprovado, na terça-feira, a intenção de assumir a gestão da Marginal até ao limite do concelho, em Carcavelos.
Como a Avenida Marginal precisa de melhorias, para a tornar mais segura, isso requer um investimento que o Estado e a Infraestruturas de Portugal (IP) não estão dispostos a fazer.
A Câmara de Cascais assume então a gestão e parte do investimento necessário e para custear esse gasto o executivo municipal pondera colocar portagens.
“A possibilidade da Câmara Municipal de Cascais, assumindo a competência da gestão da Marginal, poder vir a aplicar uma portagem, sendo que, ficou desde o primeiro segundo indicado que os munícipes de Cascais não iriam, obviamente, pagar essa portagem”, realçou.
O que está em causa?
Segundo a CNN Portugal, entre as várias intervenções para aumentar a segurança na Avenida Marginal que a autarquia planeia avançar estão: “um corredor central até Carcavelos, uma rotunda à saída de Parede, radares e coimas para quem infringir os limites de velocidade, câmaras de controlo de tráfego e videovigilância”.
Intervenções que muitos munícipes concordam serem necessárias, contudo, não através do pagamento de portagens.
A proposta da autarquia está já gerar controvérsia, uma vez que pode resultar no aumento do trânsito em vias alternativas, além de mais despesas para os automobilistas.
“Colocar portagens na Marginal não significa acabar com os carros. Pode significar acabar com os carros na Marginal, mas vamos colocar os carros à porta das casas das pessoas. Vamos colocar trânsito nas zonas residenciais porque toda a gente vai procurar alternativas à Marginal. Com custos para os próprios porque vão demorar mais tempo nos seus percursos, com custos para os residentes que vão passar a ter trânsito onde ele não existe, com custos ambientais”, lamentou o vereador socialista João Alexandre Ferreira Ruivo em declarações feitas ao canal de televisão.
PS contra. “Cobrança pode desviar trânsito para zonas residenciais”
Nas redes sociais, João Ruivo foi ainda mais incisivo: “O PS é contra a introdução de portagens na Marginal”.
“A cobrança pode desviar trânsito para as zonas residenciais. Isentar os moradores não os protege de ter mais carros à porta de casa. A mobilidade não acaba na fronteira de Cascais – nem se resolve apenas com o comboio até ao Cais do Sodré. Melhorar a linha de Cascais é essencial, mas não chega: são essenciais ligações eficazes entre concelhos e uma rede de transportes públicos que responda às deslocações de quem vive, trabalha e estuda na Área Metropolitana de Lisboa. Defendemos alternativas reais e soluções articuladas à escala metropolitana, antes de impor novos custos a quem precisa de se deslocar”, escreveu o socialista na sua página de Facebook.
Já o vereador João Maria Jonet defendeu, em entrevista à CNN Portugal, que “a ideia de portajar é muito importante, tal como seria criar outros incentivos para ir a Cascais custe mais para quem não vive lá”.
Recorde-se que, atualmente, a Marginal é uma alternativa para quem não quer pagar as portagens da A5, mas o autarca acredita que quem vai a Cascais pode fazê-lo de outra forma.
“A linha de Cascais, que teve um investimento como há décadas não tinha, estando os comboios prestes a chegar, estando anunciado pelo ministro das Infraestruturas que irá haver um concurso para uma possível privatização da gestão da linha eu acredito que será possível nós retirarmos cada vez mais utentes do traansporte individual para o comboio”, argumentou Nuno Piteira Lopes.
A Câmara Municipal de Cascais espera assumir a gestão do troço até o final do ano. Além da Marginal, vai tutelar também a variante à Estrada Nacional 67 e a Estrada Nacional 240.

